20 de fevereiro de 2013, em Espionagem, Guerra Cibernética, Informática, Noticiário Internacional, por Nicholle Murmel
Os dados da Mandiant conectam o grupo hacker APT1 (sigla de “ameaça persistente avançada”, em inglês) ao comando do Exército de Libertação Popular (ESP) – as Forças Armadas da China. O APT1 seria a chamada Unidade 61398, um órgão militar de atividades secretas instalado num edifício de 12 andares em Xangai.
O trabalho de contraespionagem dos americanos rastreou os ataques, chegando ao endereço, no distrito de Pudong, no centro financeiro e bancário da China. Lá, de acordo com o relatório, trabalham centenas – ou mesmo milhares – de pessoas com competências técnicas de programação e gerenciamento de redes, além de fluência em inglês, um perfil necessário para a realização dos ciberataques.
“O caráter do trabalho da Unidade 61398 é considerado pela China segredo de Estado. No entanto, acreditamos que ela está envolvida numa rede de nocivas operações com redes de computador”, diz o relatório. “Já é hora de reconhecer que a ameaça está vindo da China, e queremos fazer a nossa parte para combater a ameaça efetivamente.”
A unidade teria roubado “centenas de terabytes de dados de pelo menos 141 organizações de um conjunto diversificado de indústrias que começaram a operar em 2006″. A maioria das vítimas estava em EUA, Canadá e Reino Unido. E as informações roubadas variam entre detalhes sobre fusões e aquisições e e-mails de funcionários de altos escalões.
Numa área da tecnologia na qual o sigilo é a regra, a denúncia ganhou peso quando uma empresa concorrente da Mandiant, a CrowStrike, reforçou a veracidade das denúncias. “O Exército tem papel-chave na estratégia de segurança da China, e faz sentido que seus recursos sejam usados para beneficiar a espionagem digital que ajuda a economia chinesa” atestou o cofundador CrowStrike, Dmitri Alperovitch.
Pequim nega acusações
O Ministério da Defesa chinês emitiu uma nota negando as acusações – e chamando de “amadores” os especialistas da Mandiant: “O Exército chinês nunca apoiou qualquer atividade de hackers. Relatórios sobre o envolvimento do Exército com ataques cibernéticos são amadores e não estão de acordo com os fatos”, assegurou a Chancelaria chinesa.
Depois de o Facebook ter sido atacado no último fim de semana, ontem foi a vez de a Apple revelar ter sido alvo de hackers chineses. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carner, alertou para um “sério desafio a segurança e economia dos EUA”. E advertiu, sem mencionar nominalmente a China: “o presidente Obama tomará as medidas necessárias para conter esse perigo”.
FONTE: O Globo via Resenha do Exército
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