Em condição de anonimato, autoridades israelenses e americanas dizem que alvo dos caças era comboio sírio que levaria mísseis ao libanês Hezbollah
04 de maio de 2013 | 9h 37
Atualizado às 19h20.
JERUSALÉM - Em condição de anonimato, fontes israelenses e ocidentais confirmaram neste sábado, 4, que caças de Israel bombardearam alvos dentro da Síria "entre quinta e sexta-feira". O objetivo da aviação israelense teria sido um comboio do regime sírio com armamento para ser entregue ao grupo xiita libanês Hezbollah. Segundo o New York Times, o carregamento era de mísseis terra-terra de última geração que vinham do Irã.
Os mísseis terra-terra são capazes de carregar ogivas químicas. O governo de Binyamin Netanyahu vem afirmando que não permitirá a transferência de armamento da Síria - sobretudo mísseis de longo alcance, baterias antiaéreas e agentes químicos - para o Hezbollah.
Em janeiro, os israelenses realizaram um ataque semelhante ao de ontem. Tel-Aviv teme que mesmo o repasse de armas convencionais ao grupo xiita libanês altere o equilíbrio de forças na região. O Hezbollah e Israel travaram uma guerra em 2006. O grupo xiita e o Irã são os principais aliados de Assad.
Oficialmente, nem Tel-Aviv nem Damasco reconheceram que houve o bombardeio. "Não temos informação sobre nenhum ataque", disse ontem o embaixador sírio na ONU, Bashar Jaafari. Autoridades israelenses tampouco admitiram publicamente a ação.
Uma fonte de Washington afirmou ao New York Times que o alvo de Israel foi um depósito no Aeroporto Internacional de Damasco onde mísseis terra-terra Fateh-110, fabricados no Irã, eram armazenados.
Analistas de defesa israelenses disseram ao jornal terem sido informados por militares de que o carregamento continha, ainda, mísseis Scud, produzidos na União Soviética e com alcance de 680 quilômetros - o suficiente para atingir o balneário israelense de Eilat.
Em visita à Costa Rica, o presidente dos EUA, Barack Obama, evitou comentar diretamente sobre o ataque, mas disse que "Israel tem o direito de se proteger contra a transferência de armas avançadas para o Hezbollah". O ataque de Israel ocorre em um momento em que cresce a pressão nos EUA para que Obama amplie o envolvimento americano na crise síria, que entra em seu terceiro ano.
Mísseis teleguiados teriam sido disparados do Líbano, país que tem uma fraca defesa antiaérea. Funcionários libaneses confirmaram que a aviação israelense realizou uma "movimentação anormal" sobre o país. Aviões e drones de Israel sobrevoam regularmente o Líbano tentando coletar informações sobre o Hezbollah e a Síria.
Nossa informação indica que houve um ataque israelense contra um comboio que estava transferindo mísseis ao Hezbollah", afirmou Qassim Saadedine, do Exército Sírio Livre, grupo rebelde que luta contra o regime Assad.
Uma fonte do governo israelense disse que o ataque dentro da Síria foi autorizado após um encontro secreto do gabinete de Netanyahu, na noite de quinta-feira. Na reunião, teria sido discutido e aprovado o uso da força para impedir que o comboio chegasse ao Hezbollah.
A possibilidade de que fundamentalistas islâmicos sunitas ligados à Al-Qaeda coloquem as mãos no sofisticado armamento também assusta Israel.
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