Após décadas de crescimento lento, a África tem uma chance real de seguir os passos da Ásia
Na última década, seis entre os dez países do mundo com os índices de crescimento mais rápidos eram africanos. Durante oito dos últimos dez anos, A África cresceu mais rápido que o leste asiático, incluindo o Japão. Mesmo dando o desconto do efeito da desaceleração econômica dos países do Hemisfério Norte, o FMI espera que a África cresça 6% este ano e aproximadamente 6% em 2012, no mesmo ritmo que a Ásia.
O boom das commodities é, em parte, o responsável. Entre 2000 e 2008 cerca de um quarto do crescimento da África veio do aumento no ganho com recursos naturais. A demografia favorável é outra causa. Com as taxas de fertilidade caindo na Ásia e na América Latina, metade do aumento na população nos próximos 40 anos será na África. Mas o crescimento também tem muito a ver com a economia de fabricação e de serviços que os países africanos estão começando a desenvolver. A grande pergunta é se a África consegue manter o ritmo se a demanda por commodities cair.
Cobre, ouro, petróleo – e uma pitada de sal
O otimismo em relação à África precisa ser tomado em doses pequenas, pois as coisas ainda são excessivamente desanimadoras na maior parte do continente. A maioria dos africanos sobrevive com menos de dois dólares ao dia. A produção de alimentos por pessoa caiu desde a independência nos anos 60. A média de expectativa de vida em alguns países é inferior aos 50 anos. A seca e a fome persistem. O clima está piorando, com o desmatamento e a desertificação ainda em curso.
Mesmo assim, contra esse retrato deprimente, alguns números fundamentais estão caminhando na direção certa. A África agora tem uma classe média que cresce rápido: de acordo com o Banco Mundial, cerca de 60 milhões de africanos têm renda de US$ 3 mil por ano, e 100 milhões alcançarão esta faixa em 2015. A taxa de investimento estrangeiro aumentou em dez vezes na década passada.
Tudo isso está acontecendo, em parte, porque a África está finalmente experimentando um pouco de paz e governos decentes. Por três décadas após os países africanos terem se libertado de suas amarras coloniais, nenhum país (exceto a ilha de Mauritius, no Oceano Índico) pacificamente forçou a saída de um governo ou presidente através das urnas. Mas desde que o Benin iniciou esta tendência, em 1991, isso aconteceu mais de 30 vezes – muito mais do que no mundo árabe
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