BOLETIM NR 20/2ª PARTE DO NR 10
CORONEL LUIZ ERNANI CAMINHA GIORGIS
COLABORAÇÃO ATRAVÉS DA ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR
TERRESTRE DO RIO GRANDE DO DUL-AHIMTB-RS
Um Aviso de Kennedy
Em nenhum momento, a não ser bem no fim, qualquer das forças
anticomunistas—grupos masculino, feminino ou militar—pensou em obter a
deposição de Jango antes do fim de seu mandato, em janeiro de 1966. Diz Haroldo Cecil Poland, membro da
Junta Diretora do IPES: "Afinal
de contas, Goulart tinha sido legalmente eleito, de acordo com a Constituição,
e nós brasileiros temos uma longa tradição de legalidade. Só estávamos
procurando fazê-lo livrar o Governo de métodos e pessoas que estavam levando o
país ladeira abaixo rumo ao caos e à guerra civil. Nossas comissões
procuraram-no enquanto ele se mostrou disposto a nos receber. Mas ele não nos
dava atenção, voltando-se cada vez mais para os extremistas, e afinal
recusou-se a receber-nos”.
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Um dos primeiros
indícios do desdém de Goulart por conselhos amistosos ocorreu em dezembro de
1962, quando o Procurador-Geral dos Estados Unidos, Robert Kennedy, visitou o Brasil. O objetivo dele era aconselhar,
em nome de seu irmão, o Presidente, que os Estados Unidos não poderiam
continuar eternamente despejando fundos da AID
dentro do Brasil, a menos que se fizesse alguma coisa para deter a espiral
inflacionária que anulava o valor desses fundos. Goulart agiu da seguinte
maneira: apenas algumas horas depois da partida de Kennedy, ele formou uma
comissão para coordenar a expansão do comércio com a União Soviética!
A Sorte Está Lançada
No começo de março
deste ano, o país inteiro era um rastilho pronto a irromper em chamas de
revolta. Em 13 de março, o próprio
Goulart, com os vermelhos a incitá-lo, temerariamente riscou o fósforo. Perante
uma audiência de uns 100.000 trabalhadores—arrebanhados por líderes vermelhos e
trazidos para o Rio de Janeiro em ônibus e trens ao custo de mais de 400
milhões de cruzeiros para o Governo—Goulart e Brizola irrevogavelmente
comprometeram o Governo a fazer mudanças radicais.
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Realizado na praça em
frente à estação da Central do Brasil, no Rio, na hora da volta para casa das
grandes massas residentes nos subúrbios, o
comício apresentou uma floresta de cartazes enfeitados com a foice e o
martelo e exigências como "Legalidade Para o Partido Comunista!" e
"Armas Para o Povo!". Agentes democratas, procurando misturar-se com
a multidão, constataram estar esta dividida em blocos, cada um com sua própria
senha para deixar de fora quaisquer intrusos inamistosos.
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A estupefata classe
média brasileira, assistindo pela TV, ouviu Goulart denunciar como "superadas"
a estrutura do Governo e a ordem social existentes, exigindo mudanças básicas
na Constituição. Entre as mudanças sugeridas: legalização do Partido Comunista.
A seguir, Goulart anunciou dois decretos. Um confiscava e entregava à Petrobrás
as seis refinarias ainda em mãos de particulares. O outro, mais assustador,
autorizava o Governo a confiscar, sem indenização, quaisquer áreas agrárias por
ele julgadas inadequadamente utilizadas e entregá-las a camponeses sem terras,
clara repetição do programa inicial de Fidel Castro de "reforma agrária".
Os decretos constituíram movimento audacioso para contornar o Congresso.
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Combinado com os
ataques à Constituição, isso era um audaz lanço para estabelecer o governo por
decreto, essência da ditadura. O cunhado do Presidente, assomando à tribuna,
foi mais longe ainda. Em voz estridente, Brizola exigiu a extinção do Congresso
e a instituição, em seu lugar, de "assembléias" de operários,
camponeses e sargentos do Exército, um evidente eco dos “sovietes” de
operários, camponeses e soldados de Lenine, em 1917. As implicações eram
bastante claras.
O comício de 13 de
março bem pode ser considerado como o detonador da revolução preventiva. A
classe média brasileira percebeu então que a sorte estava lançada: Goulart
tinha ido além do ponto em que poderia arrepender-se. O Governo tinha entrado
num caminho que só podia levar a uma sangrenta guerra civil, seguida da tornada
do poder pelos comunistas.
A Marcha das Mulheres
Os primeiros a agir
foram as mulheres de São Paulo. Ouvindo pelo rádio e TV o comício de 13 de
março, centenas de donas de casa correram para os telefones para convocar um
comício capaz de fazer a demonstração engendrada por Goulart parecer
insignificante. Seis dias depois, a 19 de março, as largas avenidas do centro
da cidade de São Paulo ficaram entupidas pelo que as mulheres denominaram
"Marcha da Família com Deus Pela Liberdade".
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Apertando livros de
oração e rosários contra o peito, mais de 600.000 pessoas marcharam solene e ritmicamente
sob pendões anticomunistas. E enquanto elas marchavam, os jornaleiros nas
calçadas venderam centenas de milhares de exemplares de jornais contendo na
íntegra uma proclamação de mais de 1.000 palavras, previamente preparada pelas
mulheres. É dessa proclamação o seguinte trecho:
“Esta nação que Deus nos deu, imensa e
maravilhosa como é, está em extremo perigo. Permitimos que homens de ambição
ilimitada, sem fé cristã nem escrúpulos, trouxessem para nosso povo a miséria,
destruindo nossa economia, perturbando a nossa paz social, criando ódio e desespero.
Eles infiltraram o nosso país, o nosso Governo, as nossas Forças Armadas e até
as nossas igrejas com servidores do totalitarismo exótico para nós e que tudo
destrói...
Mãe de Deus, defendei-nos contra a
sorte e o sofrimento das mulheres martirizadas de Cuba, da Polônia, da Hungria
e de outras nações escravizadas! “
Um espectador classificou a marcha das
mulheres em São Paulo "como a demonstração mais comovente da história
brasileira". Dias depois, foram organizadas marchas semelhantes para
várias das principais cidades do país. Nem todos os esforços do Governo para desencorajá-las
nem as ameaças da polícia de dissolvê-las conseguiram deter as entusiásticas
cruzadas.
Guardiães da Legalidade
MAS, para impedir o
golpe vermelho, tinha de ser empregada ação mais forte do que demonstrações
públicas. Líderes da classe média começaram a conferenciar secretamente com generais
anticomunistas do Exército Brasileiro, de longa data desconfiados de Goulart e
silenciosamente empenhados em sua própria resistência aos métodos dele.
Para compreender o papel desempenhado pelos
militares na revolução é mister entender o caráter e as tradições do Exército Brasileiro,
uma estirpe ímpar na América Latina. O Brasil, ao contrário de outros países,
nunca esteve sob uma ditadura exclusivamente militar.
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Tradicionalmente, o
Exército tem-se considerado o defensor da Constituição, o guardião da
legalidade. Seus generais, ainda ao contrário dos de alguns países
latino-americanos, não são oriundos da aristocracia rica, mas das classes média
e média inferior. Vários começaram sua carreira como soldados. Assim, não
formam uma casta militar, representando antes, talvez melhor do que qualquer
outro segmento da população, uma seção transversal da opinião e dos ideais
democráticos brasileiros.
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Historicamente
submetido à autoridade civil, o Exército só interferiu em situações políticas
cinco vezes desde a queda da Monarquia, em 1889 e tão somente em crises em que
o poder civil se desmoronou ou decaiu.
Nessas ocasiões o
Exército só assumiu a direção o tempo suficiente para restabelecer os processos
constitucionais, afastando-se em seguida. Nunca revelou nenhuma tendência para
pegar o poder para si próprio—mesmo quando teria sido mais fácil, e quiçá
aconselhável, fazê-lo. Da implantação da República até hoje, só cinco dos 25
presidentes do Brasil foram militares, e esses devidamente eleitos ou nomeados.
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Em sua maioria
anticomunistas, a desconfiança que os generais tinham de Goulart e seus enredamentos
com os extremistas era igualada pela desconfiança que Goulart tinha deles. Confiando
em que o respeito à Constituição os impediria de agir, não obstante, Goulart,
por medida de cautela, transferia os comandos militares e manobrava as
promoções de modo a reduzir o poder dos oficiais mais conservadores. Um desses
oficiais, o General Humberto de Alencar Castelo Branco, comandava o Exército
sediado em Pernambuco, há muito um perigoso foco de agitação social.
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Quando alguns
fazendeiros foram assassinados, e muitas famílias fugiram do terrorismo vermelho
para as cidades, Castelo Branco entrou em ação. Aí, o Governador de Pernambuco,
Miguel Arraes, notoriamente radical, queixou-se de que o General Castelo Branco
estava "neutralizando" as influências esquerdistas em seu Estado.
Goulart imediatamente tirou de lá o criador de casos, 'promovendo-o' a Chefe do
Estado-Maior do Exército. Outros oficiais que se manifestaram contra o
comunismo foram analogamente transferidos para cargos burocráticos, enquanto
esquerdistas eram levados a posições de comando estratégicas.
Motim nas Fileiras
PARA anular ainda mais qualquer possibilidade
de uma revolta de generais anticomunistas, os vermelhos, aparentemente com a
conivência de Goulart, trataram de destruir a disciplina nas Forças Armadas,
quando não estimular o motim declarado. Foi desencadeado entre sargentos e
praças um programa de vigorosa agitação, incitando-os a formarem seus
sindicatos para reclamar uma alteração na lei que permitisse candidatarem-se a
cargos eletivos—direito franqueado a oficiais, mas não a praças. Para minar
mais ainda a ação dos chefes e enfraquecer a disciplina, formou-se uma
Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais, levando a "guerra de
classes" marxista às classes armadas.
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Em 23 de março,
com os acontecimentos se avolumando vertiginosamente, Goulart demonstrou
aberta-mente sua simpatia pelo movimento destinado a pôr a pique a disciplina
das Forças Armadas.
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Nesse dia, uns 1.400
sócios da Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil amotinaram-se
no Rio de Janeiro, abrigando-se na sede do Sindicato dos Metalúrgicos,
controlado por comunistas. Desafiando as ordens de regressarem aos quartéis, os
amotinados gritavam alegremente das janelas "Viva Goulart" e
apregoavam sua fidelidade a seu comandante, Cândido da Costa Aragão, nomeado
por Goulart e conhecido nos meios esquerdistas como "Almirante do
Povo".
batalhas.wordpress.com
Tropas do Exército cercaram e prenderam os rebeldes que,
no entanto, foram postos em liberdade algumas horas depois por ordem do próprio
Presidente. Para grande desapontamento dos militares, Goulart "pediu"
aos amotinados que fossem para os seus quartéis, com a garantia de que não
seriam punidos e receberiam dispensa no fim-de-semana.
pt.wikipedia.org ler-qi.org
O Ministro da Marinha, Almirante Sílvio Borges de
Souza Mota, abruptamente exonerou o "Almirante do Povo", depois demitiu-se
em protesto contra o encorajamento do motim pelo Governo. Goulart imediatamente
reconduziu o "Almirante do Povo" ao seu posto e a seguir anunciou que
o novo ministro da Marinha seria Paulo
Mário da Cunha Rodrigues*, um esquerdista conhecido como "Almirante
Vermelho", convocado da reserva nessa emergência. Os. amotinados
comemoraram ruidosamente a vitória nessa tarde no centro da cidade do Rio,
conduzindo aos ombros seu bem-amado "Almirante do Povo".
*Primeiro à esquerda.
Começo de Uma Avalancha
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Entrementes,
observando sombriamente os acontecimentos de seu gabinete de trabalho no Rio,
Castelo Branco, o general que fora "promovido", havia sondado sua
consciência legalista e resolvido agir. Entre seus colegas oficiais, o Chefe do
EME gozava do tipo de respeito profundo desfrutado nos EUA pelos generais
George Marshall e Douglas Mac Arthur.
lasr.net samhouston.army.mil
Ele se formou
brilhantemente na Escola Militar do Brasil, tendo mais tarde feito um curso no
Colégio de Comando e Estado-Maior dos Estados Unidos, em Fort Leavenworth, no
Kansas.
portalfeb.com.br
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Durante a Segunda
Guerra Mundial foi Chefe de Operações da Força Expedicionária Brasileira, na
Itália, como parte do Quinto Exército comandado pelo General Mark Clark.
Após o comício de 13
de março, Castelo Branco redigiu uma veemente nota. Quando um Presidente se
propunha a anular o Congresso e a derrubar a Constituição, argumentava ele, a
ação militar em defesa da legalidade não só se justificava, mas era
obrigatória. Esse memorando sigiloso foi distribuído a generais de confiança.
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Como toda correspondência dos oficiais
sabidamente anticomunistas era controlada e seus telefones censurados, a
circulação do manifesto de Castelo Branco foi um problema. Foi resolvido por
homens de negócio anticomunistas: estes transportaram exemplares no bolso do
paletó, entregando-os pessoalmente aos oficiais certos, e também forneceram
homens de confiança para transmitir mensagens entre generais na sua acelerada
troca de opiniões.
caritasinveritate.teo.br
Ao manifesto de Castelo Branco, que circulava
secretamente, mais de 1.500 oficiais de Marinha acrescentaram então um deles.
Endereçado a todo o povo brasileiro, ele declarava que chegara a hora de o
Brasil "se defender". O Exército prontamente proclamou
"solidariedade à Marinha", o grosso da imprensa aderiu, e na distante
Brasília alguns membros do Congresso abraçaram a causa.
Estaria a nação
inteira se sublevando? O próprio Goulart pareceu atônito pela extensão da
reação pública. Conferenciando às pressas com seu novo ministro da marinha, o
"Almirante Vermelho", Jango procurou recuar. Haveria um inquérito
sobre aquele motim, anunciou, e, entrementes, o "Almirante do Povo",
Aragão, foi dispensado de seu comando. O recuo veio tarde demais, a avalancha
havia começado.
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Fazendo um último e
desesperado esforço para obter algum apoio nas Forças Armadas, Goulart, na
noite de 30 de março, foi à sede do Automóvel Clube do Brasil, no Rio, onde uma
grande multidão de sargentos do Exército se reunira para homenageá-lo. Mas era
demasiado tarde. No momento mesmo em que Goulart sorvia os aplausos dos
sargentos e verberava os "gorilas", a revolução preventiva já estava
em marcha.
Marcham as Colunas Rebeldes
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A primeira conclamação
para depor Goulart viera do governador dos mineiros, Magalhães Pinto.
Demonstrações em apoio desse apelo prontamente ocorreram nas ruas, e em 31 de
março uma divisão do Exército sediada em Minas e comandada pelo General Olympio
Mourão Filho pôs-se a caminho do Rio.
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Poucas horas depois chegou a notícia de que o
General Amaury Kruel, comandante do II Exército, sediado em São Paulo, estava
lançando suas forças na luta pela liberdade e enviando um forte contingente
para o norte, rumo ao Rio. Nessa altura, soube-se que o IV Exército, sediado em
Pernambuco e comandado pelo General Justino Alves Bastos, também aderira à
rebelião.
À beira do pânico, o Presidente Goulart tomou
um avião para Brasília, onde disse aos repórteres: "Vim para aqui a fim de
governar o país, e confio em que o povo esteja comigo”. Rapidamente descobriu
que o Congresso não estava, e que tropas da guarnição de Brasília estavam-se
movimentando para atacar o palácio presidencial.
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Após três horas apenas
em Brasília, estava outra vez de volta em seu avião, rumo ao seu Estado natal,
o Rio Grande do Sul. O III Exército, sediado em Porto Alegre, ainda não se
definira; seu general-comandante, Ladário Pereira Telles, embora não
esquerdista, era leal a Jango. À sua chegada, entretanto, Goulart soube que o
Governador lido Meneghetti aderira ao levante.
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Uma incógnita era o
Primeiro Exército, sediado no Rio de Janeiro. Virtualmente preso em seu palácio
no Rio, do qual fez sua última barricada, o Governador da Guanabara, Carlos
Lacerda, de longa data acirrado inimigo de Goulart, queria proclamar sua fidelidade
à revolução e não podia fazê-lo. O Governo Federal ainda controlava as estações
de rádio do Rio e uma greve geral em apoio de Goulart fechara tudo na cidade.
As únicas forças de Lacerda eram a Polícia Militar, suas únicas armas blindadas
os caminhões de limpeza pública estacionados de modo a obstruírem as ruas que
conduziam ao palácio.
Ao que ele sabia, o I
Exército ainda estava recebendo ordens de Goulart. Desanimado, o Governador
soube que Goulart mandara uma coluna em direção a São Paulo, a fim de interceptar
a coluna rebelde que avançava (o que ele e a população carioca só puderam saber
mais tarde foi que, quando as duas forças se encontraram, a coluna
presumivelmente pró-Goulart logo aderiu aos rebeldes). Afinal, em sua única
linha telefônica ainda funcionando, o Governador Lacerda conseguiu falar com
uma emissora rebelde na distante Belo Horizonte, cujo som podia ser ouvido no
Rio. Foi então que sua própria cidade finalmente o ouviu proclamar sua solidariedade
à revolução
realidade.org
Mas quando ainda
falava, chegou-lhe um comunicado de que carros de combate do I Exército rodavam
pelas belas e sombreadas avenidas do Rio, a caminho do palácio do Governo. Só
quando os carros chegaram ao palácio, foi que Lacerda soube que eles tinham
vindo para salvá-lo e não para massacrá-lo.
Vitória
Pelo meio da tarde de
quarta-feira, 1° de abril, tudo estava terminado, e os líderes da classe média
do Brasil estavam nos microfones saudando o colapso do comunismo. Em todas as
janelas do Rio esvoaçavam lençóis e toalhas saudando a vitória, e as ruas de
todas as grandes cidades do Brasil se encheram de gente alegre e dançando num
espírito carnavalesco.
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eduquenet.net
observatoriodaimprensa.com.br
deolhoseouvidos.com.br
Do Rio Grande do Sul chegou a notícia de que Jango
Goulart fugira para o Uruguai. Também escaparam às pressas Brizola, o
Embaixador de Cuba e chefes graduados dos vermelhos, que dispararam para as
fronteiras dos países vizinhos, pularam depressa dentro de aviões rumo a Cuba
ou se esconderam em embaixadas amigas de países da Cortina de Ferro.
Navios procedentes da Tchecoslováquia, cheios de mais
armas para os revolucionários vermelhos, foram assinalados virando rumo a
Havana. E, no Rio, densas nuvens de fumaça subiam dos incineradores da Embaixada
Russa, onde grandes quantidades de documentos e papéis foram queimados às
pressas.
Como pôde uma
nação dividida, de 80 milhões de pessoas, mudar politicamente tão depressa e
pratica-mente sem perda de vidas, em contraste com as carnificinas de circo
romano de Cuba, ou da Espanha, onde ambos os lados lutaram tão encarniçadamente
durante anos?
produto.mercadolivre.com. direitosepolitica.wordpress.combr
O mérito cabe em
grande parte ao quadro dos oficiais do Exército Brasileiro, altamente civilizado,
que agiu com tanta lealdade e precisão para por cobro à ameaça vermelha de
apoderar-se do Governo, pouco antes de chegar ao ponto de derramamento de
sangue. Mas como os generais se apressam em admitir, maior mérito ainda cabe
aos civis, que, tendo diante dos olhos a lição de Cuba, por mais de dois anos
haviam alertado o povo, e no momento culminante deram o sinal aos militares
para agirem.
paditaduramilitar.blog...
Dois dias depois da
revolução, o Brasil teve um lembrete do que realmente a tornara possível. Dois
de abril tinha sido marcado pelas mulheres da CAMDE como a data para a
"Marcha da Família com Deus Pela Liberdade”, no Rio de Janeiro. Mas então,
com a liberdade conquistada, para que incomodar-se? As mulheres do Rio,
todavia, correram aos seus telefones, como suas irmãs de outras cidades haviam
feito antes. A marcha teria lugar segundo os planos, mas agora como
"marcha de ação de graças a Deus".
Quando até o General
Castelo Branco, por meio do telefonema de um amigo, aconselhou o cancelamento, temendo violências, Dona Amélia
Bastos insistiu, afirmando: -"A marcha demonstrará ao mundo que esta é uma
revolução do povo, um plebiscito em marcha pela verdadeira democracia!"
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E assim foi: um oceano
de humanidade, totalizando mais de um milhão de pessoas, deslocando-se sob uma
tempestade de papéis picados caindo dos arranha-céus ao longo das avenidas do
Rio; um exército de paz com bandeiras, dizendo com firmeza e reverência a toda
a América do Sul que os brasileiros estavam decididos a permanecer livres.
CONTINUA
NA 3ª PARTE
MEMENTO
NR 20.
ATENÇÃO!
_Esta campanha ocorrerá
sempre, todo ano, em janeiro, fevereiro e março, só devendo ser encerrada após
a conclusão das atividades da COMISSÃO DA MEIA VERDADE;
_ Os BOLETINS/MEMENTOS estão sendo encaminhados
de forma a facilitar, inclusive, a divulgação das matérias
em palestras/estágios informais pela vizinhança;
_ Já providenciou a
nossa BANDEIRA?
_ Já separou no armário
a sua camisa?
_Isto é o mínimo que
podemos fazer! PORTANTO FAÇA!
PREZADO
CIDADÃO CIVIL E MILITAR, SOLICITA-SE A MAIS AMPLA DIFUSÃO,
PARTICULARMENTE
NO SEGMENTO CIVIL DA SOCIEDADE
Fonte das ilustrações:
-Do cabeçalho
1-aprocura.com.br
2- calabarescreve.blogspot.com
3- ahimtb.org.br
4- riograndeoffshore.com
5- club33.com.br
-Do texto
*Apostas por sob as ditas cujas
- Do memento
59- tocadacotia.com
60- pingafogodocabare.blogspot.com
61- olivacijunior.blogspot.com
62- olivacijunior.blogspot.com
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