sexta-feira, 9 de novembro de 2012

No Brasil, Lady Gaga tem um de seus maiores desafios



Encalhe de ingressos da turnê ‘Born This Way Ball’ reflete a dimensão real da cantora no mercado brasileiro, onde ela vende tanto quanto Sandy. Não é um desempenho ruim, mas daí a encher o Morumbi em SP ou o Parque dos Atletas, onde canta hoje no Rio, são outros quinhentos. Que Gaga vai tentar percorrer

Carol Nogueira
Lady Gaga na favela Cantagalo, no Rio de Janeiro
Lady Gaga na favela Cantagalo, no Rio de Janeiro - Agnews
Às muitas interrogações que já rondavam a figura extravagante de Lady Gaga – como original ou cópia? – uma outra sobe ao palco do Parque dos Atletas, no Rio, nesta sexta-feira, quando a cantora dá início à sua primeira turnê no país: um fenômeno bem sucedido da música ou um balão de ar prestes a estourar? O encalhe de ingressos para os shows da cantora, que depois do Rio canta em São Paulo (domingo, 11) e em Porto Alegre (terça, 13), mostram que, pelo menos no Brasil, ela não está com essa bola toda.
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Mas a resposta à questão parece estar, na verdade, entre os dois polos que ela propõe. Gaga não é um fenômeno no Brasil. Nem nunca foi. Não que esteja mal por aqui: ela vende tanto quanto Sandy, que faturou um disco de platina com seu primeiro CD solo, Manuscrito. A título de exemplo, o primeiro e o último disco da americana, The Fame e Born This Way, tiveram respectivamente 85.000 e 86.000 cópias comercializadas. Manuscrito passou de 80.000.

A resposta dá a real dimensão de Gaga no Brasil. No Brasil, vale frisar. Porque há países em que suas vendas de fato decolam. Na França, seus discos somados – os CDs The Fame e The Fame Monster, o DVD Presents The Monster Ball Tour e os CDs The Remix e Born This Way – venderam cerca de 1 milhão de cópias. O número é quase três vezes o que venderam juntos por aqui, 373.000 exemplares.

Daí tudo indicar que o encalhe de ingressos da turnê no país se deve menos a um declínio do interesse pela cantora no país que a um erro de cálculo da promotora dos shows, a Time for Fun. Em Paris, Gaga lotou o Stade De France, com capacidade para 70.000 pessoas. Embora a organização, por questões estratégicas, não divulgue a quantidade de ingressos vendidos, é bem possível que Gaga cante para muito menos gente do que esperava. Vai ser difícil preencher o espaço de 90.000 do Parque dos Atletas. Ou mesmo de 64.000 do Estádio do Morumbi. No Brasil, Gaga vai ter um de seus maiores desafios.

ida da cantora nesta quinta ao morro do Cantagalo, onde visitou crianças carentes atendidas pelo criança Esperança, da Rede Globo, faz parte de seu marketing socia. Mas, a essa altura do campeonato, também faz parte do corpo-a-corpo da campanha pela venda de ingressos.

Espetáculo – Até esta quinta-feira, as três apresentações da cantora tinham ingressos sobrando em todos os setores – à venda, na internet, em www.ticketsforfun.com.br. Nem mesmo a pista premium, em frente ao palco, que conta com menor número de bilhetes, esgotou. Coisa rara para um show de grande porte no país.

Apesar do encalhe na bilheteria, o show da turnê Born This Way Ball, que Gaga traz ao país, vale a pena. A crítica especializada define o espetáculo como um dos mais impressionantes dos últimos anos, com cenário imponente (um castelo medieval todo iluminado com luzes neon), roteiro conceitual e muitas trocas de figurinos – todos assinados por alguns dos melhores estilistas do mercado, como Armani, Versace e Moschino.

A turnê atual é a mais exagerada, caricata e conceitual de Gaga. Os shows são divididos em cinco atos, todos repletos de significados políticos, temas como discriminação, amor próprio e críticas ao poder oficial.

No primeiro ato, Lady Gaga chega ao palco em cima de um cavalo mecânico. Nessa parte, são apresentadas músicas como Highway Unicorn (Road to Love)The Kingdom of Fame,Government HookerBorn This WayBlack Jesus † Amen Fashion e Bloody Mary. No fim do primeiro ato, em uma espécie de interlúdio, o espectador conhece a Mother GOAT (uma sigla em inglês para Território de Propriedade do Governo), alter-ego de Gaga, uma cabeça de um tipo de holograma que “narra” o show.

Já no começo do segundo ato, Gaga entra no palco dentro de uma nave “alienígena” similar à que começou sua apresentação no Grammy do ano passado. Nesse momento, ela canta Bad Romance, um de seus maiores sucessos, vestindo uma das roupas mais marcantes do show, um vestido de plástico branco com um chapéu que imita chifres na cabeça. Também nesse ato, são cantadas JudasFashion of His LoveJust DanceLoveGame e Telephone.

Já no terceiro ato, Gaga chega em cima de uma motocicleta especial, na qual seu corpo se funde de forma semelhante ao que ocorre na capa do disco. Ela então canta Heavy Metal Lover Bad Kids e entra na parte acústica do show, quando canta HairPrincess Die e You and I a plenos pulmões. O ato é encerrado com Electric Chapel.

O quarto ato é o mais curto do show, mas o mais poderoso. Ele já começa com Gaga vestindo uma de suas roupas mais icônicas, o famoso vestido de carne usado por ela no VMA de 2010. Nesse momento, ela canta Americano. E depois, vem dois de seus maiores hits – Poker Face eAlejandro – acompanhados de performances que criticam a coisificação da mulher.

Enquanto Gaga não volta ao palco, a Mother G.O.A.T. sobrevoa o palco e canta Paparazzi. E então, finalmente, é morta por Gaga com seu bastão de luz. O show termina com Scheiße. Mas Gaga ainda volta para uma espécie de bis, quando canta uma versão acústica de The Edge of Glory, e, por último, o hit Marry the Night.

Depois do Brasil, Gaga segue para Buenos Aires, onde canta no dia 16. Depois, se apresenta ainda em Santiago do Chile, no dia 20, em Lima, no Peru, no dia 23, e em Assunção, no Paraguai, no dia 26.

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