quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O DEBOCHADO ASSAD NEGA GENOCÍDIO PROMOVIDO POR ELE NA SÍRIA


O ditador da Síria, Bashar Assad, negou veementemente que tenha ordenado qualquer medida repressiva contra as manifestações de oposição a ser regime desde o começo do ano e disse não sentir culpa em relação aos atos de violência por parte de suas forças de segurança.
Assad deu as declarações durante uma entrevista com a rede americana de TV ABC que foi ao ar nesta quarta-feira. Apesar de negar ter dado ordens de violência contra opositores, ele admitiu que foram cometidos erros no país.
"Não matamos nosso povo. Nenhum governo mata sua população, a não ser que seja liderado por um louco", afirmou. "Fiz o meu melhor para proteger meu povo. Não posso sentir culpa por isso. Você lamenta as vidas que se perderam, mas não se sente culpado se não matou ninguém".
O ditador ressaltou também que não é dono das forças de segurança, mas disse não acreditar nos relatos de tropas sírias invadindo casas, matando civis e prendendo pessoas de forma arbitrária, inclusive crianças.
Segundo estimativas recentes da ONU, ao menos 4.000 pessoas já morreram desde que os confrontos emergiram no país em março, com parte da população pedindo a saída do ditador do poder. Atualmente, a Síria enfrenta sanções de diversos países do Ocidente e ameaças de aliados da Liga Árabe.
Assad, porém, rechaçou os números apontados pelas Nações Unidas. "Quem disse que a ONU é uma instituição confiável?", questionou, acrescentando que as vítimas nas ruas não são civis protestando contra seu regime.
France Presse
Imagem divulgada por agência estatal síria mostra ditador Bashar Assad em entrevista em Damasco
Imagem divulgada por agência estatal síria mostra ditador Bashar Assad em entrevista em Damasco
"A maioria parte das pessoas que foram mortas são apoiadoras do governo, não o contrário", disse e reforçou que entre as vítimas há 1.100 soldados e policiais.
O ditador afirmou que qualquer soldado que tenha se sobressaído e ultrapassado o limite na hora de garantir a segurança da população foi punido por suas ações.
"Toda ação bruta foi individual, não institucional, você precisa saber disso", afirmou. "Há uma diferença entre ter uma política de repressão e haver alguns erros cometidos por oficiais. Não há ordens para matar".
ABERTURA
Durante a entrevista, Assad garantiu que está introduzindo reformas e eleições, começando pelo processo eleitoral para escolha de líderes locais ainda neste ano. A votação para presidente não está programada para antes de 2014, data que não pode ser reagendada de forma apressada, segundo ele.
"Nunca dissemos que éramos um país democrático. Estamos indo em direção a reformas, especialmente durante os últimos nove meses. Isso demanda tempo e muita maturidade para chegarmos a uma democracia completa".
Já atingida pelas sanções econômicas dos Estados Unidos e da Europa, a Síria foi punida no mês passado por países da região, com sanções anunciadas pela Liga Árabe e impostas pela Turquia, antiga aliada do ditador.
No último dia 27, a Liga Árabe aumentou o isolamento do regime ao adotar sanções contra a Síria. As principais foram o congelamento das transações comerciais e financeiras com o governo sírio, incluindo o banco central do país, e de suas contas bancárias nos países árabes.
O ditador afirmou que a ameaça de mais medidas punitivas não o deixam preocupado. "Estamos sob sanções há ao menos 30, 35 anos. Não é algo novo".
Ele ressaltou que, apesar de décadas de punições econômicas, a Síria não está isolada.
RESOLUÇÃO DA ONU
Na sexta-feira (2), o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas aprovou em Genebra uma resolução condenando o regime do ditador Bashar Assad pelas "grosseiras e sistemáticas" violações perpetradas por suas forças de segurança desde março, quando os protestos pela renúncia do líder começaram.
O texto aprovado pressiona, de forma indireta, o Conselho de Segurança das Nações Unidas a tomar "ações apropriadas contra a Síria", seja através do TPI (Tribunal Penal Internacional), ou por meio de resoluções mais contundentes contra o regime.
O Conselho composto por 47 membros analisou a proposta de resolução apresentada pela União Europeia. O texto foi aprovado por 37 países. Quatro votaram contra (China, Rússia, Equador e Cuba) e seis se abstiveram (Angola, Bangladesh, Camarões, Índia, Filipinas e Uganda).
Entre as violações identificadas pelas Nações Unidas estão execuções (incluindo crianças), e sérios crimes contra a humanidade. Na quinta-feira, a alta comissária de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, disse que o país se encontra em estado de guerra civil.

Arte Folha/Arte Folha
arte mundo árabe

Nenhum comentário:

Postar um comentário