Cleoffas Cavalcante/AMAN 58 –
Cav.
Terceira parte
Os DOIs_CODIs
(Light...)
A divisão do butim
Graças a acachapante vitória militar obtida pelas FFAA em 31 de março frente ao pelego comunismo tupiniquim, os militares, estupefatos, verificaram que a classe política brasileira, aquela a dizer-se à véspera como a detentora do “pudê” institucional estabelecido e lídimo representante do povo brasileiro, pecava pela fanfarronice, falta de poder de fogo e apoio popular e que se fazia representada só e no geral por dois grandes grupos, o esquerdistas(pelegos e comunistas) e os “democratas” (a alta burguesia nacional); grupos que no dizer de um pândego almirante: “não se atritavam graças às FFAA, que a similitude do algodão, bem separam os dois cristais (sic)”.
Frente ao
raciocínio acima no bem explicitar aos senhores militares quais seriam os seus
devidos lugares na futura governança nacional a frente apresentar-se, empenha
nossa grande burguesia nacional através de manobras do senador Auro de Moura
Andrade em tentar empossar no lugar do Jango a Ranieri Mazilli, presidente da
Câmara dos Deputados. Lógico, tudo, segundo nossos patrióticos políticos feito em
nome da tradição militar brasileira quanto de já suas pretéritas intervenções e
golpes, ou seja, àquela de que logo após o “pronunciamento” vitorioso o poder
ou ‘pudê’ voltava aos civis, com os militares recolhendo-se aos quartéis sob
cálidos aplausos do povo, haja vista terem restabelecido a “governabilidade” e
as tradições ocidentais cristãs; a dizer, o grupo vencedor caberia então a
partir daí ter acesso privativo às tetas da viúva... (a
“governabilidade”). Assim fora na
Revolução de 30, 1945, suicídio de Vargas, novembrada, etc.
Mas desta vez
tal conversa fiada não colou. Os militares se viram de uma hora para outra
donos do pedaço, sem ninguém que os pudessem impedir de fazer uma faxina no
carcomido sistema político nacional; a poder correr com os comunas; e aparar as
asas da grande, arcaica e exploradora
burguesia nacional.
Em primeira
providência editam a um ato institucional; em seguida, como atualmente procede
nosso poder legislativo, auto concedem um aumento de 100% aos seus bregas
vencimentos; colocam a um general de presidente, intervém em sindicatos, abrem
IPMs e cassam a mandatos e cargos vitalícios. Uma faxina geral. Os políticos
burgueses no primeiro momento apóiam tal governo na doce ilusão que ele só
duraria o interregno do primeiro presidente, o do general Castelo Branco. São
surpreendidos com a prorrogação do mandato dele, mais a uma fajuta constituição
e toma cassações inclusive de ícones da direita, tais como JK, Adhemar e Carlos
Lacerda, candidatíssimos às “futuras” eleições diretas à presidência.
Perceberam que
os militares estavam a fim de botar para quebrar tanto no quintal da direita
como no da esquerda, Um novo poder mais alto se levanta ...(Camões). Tinham os
biltres da direita e da esquerda sido engolidos. E, pior, no só a haver agora a
dois partidos no cenário: Arena, apoiando a tudo aquilo que os militares
queriam; MDB, contrários aos militares.
O ‘príncipe’
da direita golpista, Carlos Lacerda, chega ao desespero de criar uma Frente a
unir e aliar contra os militares as duas cambadas civis (direita e esquerda)
que anteriormente se digladiavam pelo “pudê” e sua cobiçada chave do cofre e
caneta para nomear. A “governabilidade”(Sir Ney Ribamar), aquela de se ir mamar placidamente na viúva, tinha
sido duramente golpeada...
Nesse ínterim,
a abarcar de 31 de março de 1964 ao Ato Institucional n°5, os militares deitam
e rolam no pedaço não encontrando quase nenhuma resistência por parte das
esfaceladas esquerdas atônitas com a derrota sofrida e no se reorganizarem
agora só conforme os ditames das ditas tendências armadas, a cubana, foquismo,
ou a linha Maoista, chinesa. Segundo os trastes, por seguirem a Linha moscovita,
pacifista, preconizada pelo PCB, a que passam a então chamar depreciativamente
de “Partidão”, é que advirá a fragorosa derrota das “massas”(sic) em 31 de
março de 1964. O “Pecebão”, outro apelido que também recebeu se rachou
consequentemente em várias dissidências, todas, a propugnarem a derrubada pelas
armas da pérfida e cruelmente imposta ditamole militar.
Como marco
inicial da atividade armada de combate à ditadura aflora um atentado a bomba
com vítimas fatais no aeroporto de Guararapes PE, em 27/07/1966, planejado
individualmente e só à conta e risco da doentia vocação terrorista de um
padreco comunista, Alípio de Freitas, da cúpula da AP, Ação Popular, um grupelho
de católicos marxistas a vicejar àquele
tempo na Igreja Católica e no professarem uma tal ‘Teologia da Libertação’, uma
salada mista marxista/católica que angariou adeptos entre ‘intelectuais’ de SP
e caipiras políticos carolas lá do SE do Paraná, alguns destes já envolvidos em
distúrbios rurais por lá desde 1957, originários e do tempo do governador
Lupion ( o primeiro da lista nº1 de cassações do regime militar) naquele
Estado. Deles foi a idéia e a instalação de uma aparelhão, “associação” católica
estabelecida na cidade de Francisco Beltrão, PR, a “importar” padres e freiras
“esclarecidos” da Europa (Bélgica, França e Holanda), ensinar-lhes o português
e os distribuir pela zona rural a pregar a futura “libertação” pela AP e por
Cristo das massas rurais oprimidas pelos latifundiários locais. Em SP, seus
militantes infiltraram-se, muito sem jeito, não eram do ramo, como operários em
fabricas no ABC paulista e assim tentarem “catequizar” as ditas massas
operárias. Tal camarilha da AP não encontrou eco ou sucesso nem no mundo
fabril, nem no meio rural. Os mais exaltados líderes dessa facção foram
detectados, presos ou exilados e os remanescentes – uns papos furados,
inclusive um badalado farsante por eles alçado a ser o “príncipe” dos
sociólogos de Jaçanã/SP - voltaram ao corriqueiro blá-blá intelectual entre
eles por conta e de tempo de suas sacais e “concorridas” tertúlias no exílio ou
na clandestinidade.
A radicalização se instala
( A continuar. Em elaboração)
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