13 de novembro de 2012, em Conflitos em andamento, por Guilherme Poggio
Disparo, em reação a projéteis que atingiram Colinas de Golã, é primeiro ataque ao país vizinho desde 1973
Daniela Kresch
“As forças do Exército de Defesa de Israel fizeram tiros de advertência e transmitiram uma mensagem às forças sírias através das Nações Unidas. Qualquer fogo adicional irá provocar uma resposta rápida”, afirmou o Exército, em comunicado.
Para a maioria dos analistas, o fogo sírio que atingiu Israel não foi intencional, e sim fruto dos confrontos entre o Exército e a oposição ao governo do presidente Bashar al-Assad. Os militares tentam, há semanas, retomar as cidades de Kuneitra e Bir Adjam, a poucos quilômetros da fronteira com Israel, controladas atualmente pelos rebeldes. O mesmo tem acontecido na fronteira com a Turquia.
ESCALADA NA ÚLTIMA SEMANA
Apesar de Israel e Síria estarem, tecnicamente, em estado de guerra desde 1974, quando assinaram um acordo de cessar-fogo, a fronteira era considerada uma das mais calmas nas últimas décadas. Desde o começo da guerra civil síria, no entanto, a tensão aumentou. Em julho e setembro, houve casos esporádicos de projéteis que caíram nas Colinas do Golã. Mas, na última semana, eles se acentuaram. Na quinta-feira, três morteiros atingiram a região. Um deles caiu no quintal de uma casa no vilarejo de Alonei HaBashan. Dias antes, três tanques sírios entraram na zona desmilitarizada estabelecida pela ONU em 1974 e um foguete sírio alcançou um jipe militar israelense na fronteira.
- O problema sírio pode acabar se transformando em problema nosso – disse, em reação à escalada na tensão, o general Benny Gantz, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.
Ontem, um morteiro sírio de 120 milímetros atingiu a base militar de Tel Hazka, no Norte do Golã, explodindo numa área não populada. O exército israelense enviou uma queixa formal às Forças Observadoras de Separação da ONU (Undof), afirmando que “o fogo que chega a Israel a partir da Síria não vai ser tolerado e poderá ser respondido com severidade”. Paralelamente, os militares dispararam o míssil Tamuz, teleguiado, alvejando intencionalmente uma área despopulada.
- A intenção da resposta de Israel não foi a de instigar guerra, e sim enviar um sinal à Síria que Israel não vai ignorar fogo contra seu território – afirma o analista político Ron Ben-Yishai.
Mas, apesar disso, os moradores das Colinas do Golã se preparam para uma elevação na violência. Muitos estão limpando abrigos antiaéreos para o caso de uma nova guerra com a Síria.
Segundo o professor Ely Carmon, do Centro Interdisciplinar Hertzelyia, o lançamento de ontem contra Israel pode ter sido intencional, mas também pode ser uma provocação do exército de Assad com o objetivo de atrair Israel para dentro do conflito e, dessa forma, conseguir o apoio de parte da população e do resto do mundo árabe. Outra teoria é a de que “jihadistas” estrangeiros estejam preparando o terreno para um conflito com o Estado Judeu.
- Nos últimos dois meses, entraram na Síria e se estabeleceram na fronteira com Israel elementos “jihadistas” e membros da rede terrorista al-Qaeda. Eles já dizem claramente que assim que “acabarem com o trabalho” contra o governo sírio, vão continuar a lutar também contra o país – acredita Carmon. – De qualquer forma, a situação do Golã só ficará mais complicada.
TROCA DE HOSTILIDADES COM GAZA
Se a fronteira Norte está agitada, o mesmo se pode dizer da fronteira sul de Israel, com a Faixa de Gaza. Na sexta-feira, começou uma nova rodada de ataques e contra-ataques entre o exército israelense e militantes de grupos radicais palestinos como o Hamas e a Jihad Islâmica.
A escalada da violência começou quando um jipe de Israel foi atingido por um míssil quando patrulhava a fronteira. Em resposta, a Força Aérea israelense atacou alvos no Sul de Gaza, matando seis pessoas: dois militantes de grupos islâmicos e quatro civis. Nas 48 horas seguintes, mais de 120 mísseis, foguetes e morteiros lançados de Gaza aterrissaram em Israel, ferindo três civis e paralisando todo o Sul do país.
- O mundo precisa entender que Israel não vai ficar de braços cruzados quando enfrenta tentativas de nos ferir – disse o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
O premiê – que concorre à reeleção pelo partido conservador Likud no dia 22 de janeiro – está sob pressão popular para acabar com os bombardeios de Gaza, ao mesmo tempo em que não parece ter interesse em melindrar a opinião pública internacional – e o novo governo do Egito – com uma nova guerra no território palestino.
FONTE: O Globo, via resenha do EB
FOTO: Haaretz
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