PUBLICIDADE
DA AFP, EM PEQUIM
De Pequim a Cantão, de Xangai a Urumqi, todos os chineses conhecem esta soprano, general de brigada no Exército, estrela por 25 anos da televisão estatal, cujo último programa foi assistido por nada menos do que 770 milhões de telespectadores.
Peng Liyuan é mulher de Xi Jinping, que deve ser confirmado na quinta-feira como o novo líder do Partido Comunista e do país. Ela deverá ser uma primeira-dama atípica.
"Desde a era de Mao (1949-1976), as mulheres de altos dirigentes chineses não são mais mostradas em público", observa Zhang Yaojie, um pesquisador da Academia Nacional de Artes.
Desde a cruel Jiang Qing, a última mulher de Mao Tse-tung, a "imperatriz vermelha" odiada pelo povo por seus erros e brutalidades durante a Revolução Cultural (1966-1976), as mulheres dos líderes chineses permaneceram nas sombras.
Xi Jinping
Ver em tamanho maior »
A cantora folclórica chinesa, Peng Liyuan, durante show em Pequim (China). Ela é mulher de Xi Jingping, o próvável futuro presidente da China, atual vice
Mas em vídeos na internet, Peng Liyuan, mostra-se uma linda mulher de 49 anos de idade, cabelo negro espesso, maçãs do rosto salientes e sorriso radiante.
Em uniforme militar, traje étnico bordado ou manto longo fúcsia, ela canta melodias adocicadas ou músicas folclóricas com letras modificadas para glorificar o Partido Comunista.
Em perfeita harmonia com seu marido, um "príncipe vermelho" próximo dos círculos militares, esta cantora do Exército é popular e famosa.
Natural de Shandong (no leste do país), Peng entrou para o Exército aos 18 anos.
"Como simples soldado, começou, graças a seu talento vocal, a participar em espetáculos do Exército para elevar o moral das tropas", afirma sua biografia publicada nos sites Sina e Baidu.
Para seu professor de Conservatório, Jin Tielin, ela era a melhor de todas. "Nunca descansava no meio do dia. Estava sempre estudando", afirmou à revista "Huanqiu Renwu".
Peng se apresentou em quase 50 países e recebeu muitos prêmios. Mas foi na festa do Ano Novo que virou estrela nacional.
Quando finalmente se aposentou em 2008 das apresentações na televisão, muitos pensaram que tomou a decisão para não afetar o protagonismo do marido, bem menos conhecido que ela. Xi acabara de entrar para Politburo do Partido Comunista.
"Vai ter uma função eminente, o que pode afetar a carreira de artista, um pouco como Carla Bruni", afirma Michel Bonnin, diretor de um centro franco-chinês, estabelecendo uma relação ousada com a mulher do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy.
Mas Peng pode ajudar Xi Jinping "a ter uma imagem menos apagada que aquela habitualmente atribuída aos políticos chineses", completa.
Nas entrevistas à imprensa chinesa, Peng Liyuan não poupa elogios a seu "marido ideal", com quem casou há 25 anos. O casal tem uma filha, Xi Minze, que estuda em Harvard.
"Quando ele está em casa, faço os pratos que gosta", assegura.
À revista "Huanqiu Renwu", Peng afirmou ter atividades simples como "ir ao mercado e conversar com os vendedores", além de defender os valores tradicionais da família e da mulher.
Comprometida com atividades humanitárias, Peng é desde 2011 embaixadora da Organização Mundial da Saúde (OMS) contra a Aids e a tuberculose.
"É possível que Peng desempenhe um papel de primeira-dama ao estilo ocidental, ao invés do usual na China, que consiste em acompanhar o marido às reuniões internacionais", afirma Michel Bonnin.
Nenhum comentário:
Postar um comentário