sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O que Valério contou ao MP. E o que ainda resta contar



Reportagem de VEJA detalha informações passadas pelo publicitário à PGR - entre elas, a de que Lula foi chantageado por envolvidos no caso Celso Daniel

NO INFERNO - O empresário Marcos Valério, na porta da escola do filho, em Belo Horizonte, na última quarta-feira: revelações sobre o escândalo
Valério contou ao MP detalhes envolvendo o assassinato de Celso Daniel (CRISTIANO MARIZ)
Em setembro, VEJA publicou em reportagem um resumo dos segredos até então guardados porMarcos Valério, o operador do mensalão. Entre eles, a revelação sobre o papel de protagonista de Lula no esquema. Pouco depois, o próprio empresário informou ao Supremo Tribunal Federal, por meio de um fax, que estava disposto a contar tudo o que sabe. E foi ouvido pelo Ministério Público. Reportagem de VEJA que chega às bancas nesta sexta-feira revela o que Valério contou ao MP na tentativa de obter um acordo de delação premiada - quando o réu oferece mais informações sobre um crime em troca de benefícios. À Procuradoria, o empresário informou, pela primeira vez, ter detalhes sobre outro caso escabroso envolvendo o PT: o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em janeiro de 2002.
O publicitário relatou que Lula e seu braço-direito, Gilberto Carvalho, estavam sendo extorquidos por figuras ligadas ao crime de Santo André – em especial, o empresário Ronan Maria Pinto, apontado pelo Ministério Público como integrante de um esquema de cobrança de propina na prefeitura. Os achacadores ameaçavam envolver Lula no crime. Procurado pelo PT para dar dinheiro aos chantagistas, Valério recusou: "Nisso aí, eu não me meto", afirmou Valério em um encontro com Sílvio Pereira, então secretário-geral do PT, e Ronan. A história é narrada pelo próprio publicitário.
O operador do mensalão afirma que não aceitou entrar no jogo, mas sabe quem acertou as contas com Ronan: um amigo pessoal de Lula, utilizando-se de um banco não citado no esquema do mensalão.
Mais "bombas" – As declarações são apenas parte do arsenal de Valério. Como VEJA havia mostrado já em setembro, o publicitário demonstra estar disposto a revelar o verdadeiro papel de Lula no esquema do mensalão. Mais do que isso: diz ser capaz de desvendar o mistério sobre a origem do 1,7 milhão de reais apreendidos pela Polícia Federal no escândalo do dossiê dos aloprados, em 2006. E de dar detalhes comprometedores sobre a participação do ex-ministroAntonio Palocci na arrecadação de recursos para o caixa do PT.
Valério está condenado a 40 anos de prisão. É provável que sua delação tardia não tenha grandes efeitos sobre a pena que terá de cumprir. Mas pode ajudar o país a resolver algumas questões que ficaram sem resposta nos últimos anos.

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