quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Milhares de argentinos ocupam as ruas contra governo de Kirchner



PUBLICIDADE
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Atualizado às 22h12.
Milhares de argentinos se concentram na noite desta quinta-feira no centro histórico de Buenos Aires em um protesto convocado nas redes sociais contra as políticas do governo da presidente Cristina Kirchner. Em Londres e Madri, manifestantes também foram às ruas, batendo panelas e exibindo faixas em frente aos postos diplomáticos da Argentina.
Fontes policiais relataram ao jornal argentino "Clarín" que pelo menos 20 mil pessoas estavam reunidas no centro histórico da capital.
O tema dominante do protesto é a revolta contra a tentativa de algumas correntes políticas oficialistas em viabilizar uma segunda reeleição consecutiva para a presidente Kirchner, algo por enquanto vedado pelas leis argentinas. A frase "8N. Sim à democracia. Não à re-reeleição" se tornou um slogan informal do movimento nas redes sociais.
Mas os argentinos tamém estão insatisfeitos com as regras duras do governo que limitam a compra e venda de dólares --um ativo bastante popular num país onde as pessoas costumam fazer poupança e negociar imóveis nessa moeda.
A revolta com o aumento dos casos de violência também era outra reclamação bastante visível. Entre faixas de protesto contra a corrupção e falta de liberdade, havia grande cartaz com os dizeres "chega de mortes" em meio aos manifestantes.
Natacha Pisarenko/Associated Press
Manifestantes ocupam o centro de Buenos Aires em protestos contra as políticas da presidente Cristina Kirchner
Manifestantes ocupam o centro de Buenos Aires em protestos contra as políticas da presidente Cristina Kirchner
O famoso obelisco da avenida 9 de Julio, uma das principais vias da cidade, está tomado de argentinos de todas as idades, portanto bandeiras, faixas de protestos, e panelas, a tradicional "ferramenta" das manifestações populares nesse país.
"Eu quero voltar, mas como está agora a situação não posso retornar. Está muito complicado para todos", diz Micaela, 29, à agência France Presse. A jovem argentina foi uma das 150 pessoas que bateram panelas em frente ao consulado de seu país em Londres.
"O mais importante para mim é a [questão da] segurança e da falta de liberdade. Já não há liberdade de expressão. Não se pode trocar dólares, a população não pode poupar em dólares. É uma vergonha", diz ela.
Os panelaços anti-Cristina começaram em maio e tiveram em 13 de setembro seu maior evento, que reuniu mais de 200 mil pessoas, na Praça de Maio e outros pontos da capital. O protesto de hoje, devido ao número de pessoas, já está sendo considerado equivalente à mobilização de setembro.
Além dos protestos na capital e nos consulados no estrangeiro, o "Clarín" relata ainda manifestações de algumas centenas de pessoas no interior do país, em Córdoba, Mendoza, Rosario, Salta e Tucumán.
Paul White/Associated Press
Argentinos fazem protesto anti-governo, em frente ao consulado de seu país em Madri
Argentinos fazem protesto anti-governo, em frente ao consulado de seu país em Madri
MANDATOS
A presidente argentina cumpriu seu primeiro mandato entre 207 e 2011, reelegendo-se até 2015.
A Constituição do país veta um novo mandato para Cristina Kirchner, mas recentemente alguns políticos oficialistas manifestaram a intenção de emendar a lei nacional para abrir a possibilidade de um terceiro período na Casa Rosada.
Uma sondagem recente sugere que a ideia não é popular entre os argentinos: 80% dos entrevistados pela consultoria Management & Fit dissera ser contra um novo mandato de Kirchner.
Analistas políticos avaliam que a presidente argentina, que já teve um nível de popularidade maior, dificilmente teria força política suficiente para ter os dois terços do Congresso nacional necessários para emendar a Constituição.

Nenhum comentário:

Postar um comentário