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LEANDRO MACHADO
RICARDO GALLO
DE SÃO PAULO
RICARDO GALLO
DE SÃO PAULO
Carla Cepollina insinuou nesta terça-feira (6) que o assassinato do coronel Ubiratan possa ter sido executado por um policial militar que assessorava o então deputado estadual candidato à reeleição em 2006.
Cepollina diz que sofreu depressão após pressão da polícia e da mídia
Delegada diz que teve relações sexuais com coronel Ubiratan
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O policial em questão era o chefe de campanha de Ubiratan, o coronel da reserva Gerson Vitória.
A acusada deu três razões que, segundo ela, indicam a participação do subordinado no crime:
1) Segundo Carla, Ubiratan havia dado um tapa no rosto de Vitória dias antes de morrer. Em depoimento durante o processo, o subordinado falou que tivera uma discussão com Ubiratan e que decidira se afastar da campanha em razão disso.
Gerson Vitória morreu cerca de um mês atrás, de câncer e era o melhor amigo do coronel, segundo um familiar de Ubiratan. Esse mesmo familiar, que pediu anonimato àFolha, disse não acreditar nessa versão.
2) Ubiratan, diz Carla, suspeitava de desvio de dinheiro de sua campanha; a acusada novamente insinuou que Vitória poderia estar por trás disso.
3) O tiro que atingiu Ubiratan foi certeiro, no peito, "de profissional", atingindo órgãos vitais e causando perda de sangue.
Caso Ubiratan
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Carla Cepollina deixa o fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, após 1º dia de julgamento
Carla encerrou seu depoimento na noite desta terça-feira reforçando que não tem culpa na morte do coronel. "Todo crime deixa um rastro. A acusação não tem nenhuma prova científica contra mim, apesar dos laudos adulterados e da sacanagem que fizeram comigo".
O julgamento continuará nesta quarta-feira, com debate entre defesa e acusação. Em seguida os jurados se reúnem para decidir se ela é culpada ou inocente. Por fim, o juiz estabelece a sentença.
Para o juiz aposentado Luiz Flávio Gomes, a pena ficará entre 12 e 30 anos se Carla for condenada por homicídio triplamente qualificado. Há a possibilidade ainda, diz o juiz, de que ela seja absolvida por não haver prova direta --isto é, não há como comprovar que ela tenha cometido o crime.
CARLA CEPOLLINA
Carla Cepollina, 46, responde em liberdade e nunca foi presa. Se condenada, pode ficar 30 anos na prisão.
De família rica, estudou no colégio Dante Alighieri, um dos mais tradicionais de São Paulo. Boa aluna, cursou administração na FGV (Fundação Getulio Vargas) e direito na USP.
Segundo a mãe, Liliana Prinzivalli, a filha e o coronel se conheceram por meio de um parente de Carla, da Polícia Militar. Namoraram por dois anos e meio.
Desde que foi acusada, Carla passou a trabalhar fazendo traduções e administrando os bens da família.
Liliana diz que a filha deixou de ter vida social. "Uma acusação dessa pesa muito."
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
CRIME
Comandante da operação conhecida como massacre do Carandiru, que resultou na morte de 111 presos em 1992, o coronel Ubiratan foi baleado em seu apartamento, nos Jardins (zona oeste), no dia 9 de setembro de 2006.
A investigação da polícia apontou Cepollina como única responsável pelo crime. Ela foi a última pessoa a ser vista entrando no apartamento, e, segundo a polícia, sua motivação seria o ciúme.
Ela foi indiciada pela polícia e denunciada pelo Ministério Público sob a acusação de homicídio duplamente qualificado --por motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
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