segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Cepollina é expulsa de julgamento após se revoltar com testemunha



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TALITA BEDINELLI
DE SÃO PAULO
Carla Cepollina, 46, foi expulsa durante sessão de seu julgamento após se revoltar contra testemunha que prestava depoimento por volta das 21h30 desta segunda-feira (5).
Ela é acusada de matar em 2006 o então namorado, o coronel Ubiratan Guimarães, comandante do Massacre do Carandiru e será julgada por homicídio triplamente qualificado (por crueldade, motivo fútil e sem chance de defesa).
Durante depoimento do delegado Marco Antonio Olivato, que investigou o caso a época do crime, Liliana Prinzivalli, mãe e advogada de Carla, afirmou que o policial chantageou a filha. Segundo a advogada de defesa, caso Cepollina não confessasse o crime, sua mãe seria presa.
No dia 25 de setembro de 2006, Prinzivalli foi autuada por posse irregular de armas. Segundo a polícia, uma carabina foi localizada no apartamento da mãe de Cepollina. Liliana foi presa por posse irregular de armas, pagou fiança de R$ 800 e foi liberada, de acordo com o DHPP.
O delegado negou ter feito a afirmação. Neste momento, Carla se exaltou e interrompeu o depoimento, afirmando que ele "falou sim".
O juiz Bruno Ronchetti de Castro então declarou que a acusada não poderia se manifestar durante o julgamento, e por isso ela deveria se retirar da sessão.
A expectativa é que o julgamento seja suspenso após o término do depoimento de Olivato. Os trabalhos devem ser retomado às 8h de amanhã, quando o delegado José Vinciprova Sobrinho e Carla Cepollina contarão suas versões dos fatos.
No início da tarde, a advogada de Carla dispensou todas as cinco testemunhas de defesa por acreditar que todas as provas já são favoráveis à filha.
O julgamento começou por volta das 15h40 desta segunda-feira, no fórum na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Dos sete jurados selecionados, apenas uma é mulher. Segundo a defesa, a Promotoria dispensou a participação de outras mulheres porque elas são "mais emotivas e poderiam se solidarizar com Carla".
Caio Guatelli-11.jun.08/Folhapress
Justiça decide levar advogada Carla Cepollina (à esq.) a júri pela morte do coronel da reserva da PM Ubiratan
Carla Cepollina (à esq.), acusada de matar o coronel Ubiratan
A primeira testemunha ouvida foi Odete Adoglio de Campos, 85, vizinha do coronel. Ela contou que ouviu um barulho estridente enquanto assistia à novela das 19h. Pensou, primeiro, que uma pilha de pratos havia caído. Depois, achou que alguém tinha jogado uma pedra em alguma janela.
Segundo o depoimento, Odete só ficou sabendo do crime na madrugada do dia seguinte ao ouvir a notícia no rádio.
Outras duas testemunhas de acusação que seriam ouvidas hoje, Renata Madi e Fabrício Guimarães (filho do coronel), não compareceram no tribunal.
Renata Madi é promotora da Polícia Federal e, segundo a Promotoria, mandou uma mensagem de celular ao coronel no dia do crime, fato que teria desencadeado a briga entre Ubiratan Guimarães e Carla Cepollina, resultando no assassinato.
O filho do coronel teria passado mal e, por isso, não foi ao tribunal.
CARLA CEPOLLINA
Carla Cepollina, 46, responde em liberdade e nunca foi presa. Se condenada, pode ficar 30 anos na prisão.
De família rica, estudou no colégio Dante Alighieri, um dos mais tradicionais de São Paulo. Boa aluna, cursou administração na FGV (Fundação Getulio Vargas) e direito na USP.
Segundo a mãe, Liliana Prinzivalli, a filha e o coronel se conheceram por meio de um parente de Carla, da Polícia Militar. Namoraram por dois anos e meio.
Desde que foi acusada, Carla passou a trabalhar fazendo traduções e administrando os bens da família.
Liliana diz que a filha deixou de ter vida social. "Uma acusação dessa pesa muito."
Editoria de Arte/Folhapress
CRIME
Comandante da operação conhecida como massacre do Carandiru, que resultou na morte de 111 presos em 1992, o coronel Ubiratan foi baleado em seu apartamento, nos Jardins (zona oeste), no dia 9 de setembro de 2006.
A investigação da polícia apontou Cepollina como única responsável pelo crime. Ela foi a última pessoa a ser vista entrando no apartamento, e, segundo a polícia, sua motivação seria o ciúme.
Ela foi indiciada pela polícia e denunciada pelo Ministério Público sob a acusação de homicídio duplamente qualificado --por motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

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