JORNALISMO DE GUERRILHA
Emissora gera polêmica ao infiltrar repórteres em grupo de estudantes convidados a conhecer a Coreia do Norte
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Na semana passada, a BBC cometeu uma perigosa gafe que comprometeu sua imagem ética como veículo de comunicação. A emissora britânica infiltrou três jornalistas em um grupo de estudantes da renomada universidade London School of Economics (LSE), que rumava para a Coreia do Norte a fim de passar uma semana no país, reunindo-se com ministros, membros do governo e especialistas acadêmicos.
No intuito de gravar um documentário, a emissora deliberadamente colocou em risco a integridade dos estudantes, já que na Coreia do Norte jornalistas precisam de permissão do governo para trabalhar.
A universidade acusa a emissora de recrutar estudantes e utilizá-los como “disfarce” para a gravação do documentário intitulado “Coreia do Norte revelada”. Segundo Craig Calhoun, diretor da LSE, a viagem não foi programada pela instituição.
A BBC questionou a acusação, afirmando que a viagem já estava marcada e que os estudantes estavam cientes da presença de repórteres no grupo. De acordo com a emissora, os estudantes tinham a opção de desistir do projeto. Porém, a BBC não disse aos estudantes a natureza do documentário, alegando que a medida foi tomada para proteger os estudantes caso os repórteres fossem descobertos.
Alex Peters-Day, líder do grupo estudantil, disse que durante a viagem de volta, os estudantes receberam um furioso e-mail do governo norte-coreano, deixando claro que havia descoberto a presença de repórteres dentro do grupo. Por sorte, os estudantes já haviam deixado o país quando os repórteres foram descobertos e não sofreram represálias.
Em 2009, dois repórteres americanos foram presos e condenados a 12 anos de trabalho forçado por entrarem ilegalmente no país para fazer uma reportagem sobre o tráfico de mulheres. Os jornalistas foram liberados da sentença quatro meses depois, quando o então presidente dos EUA, Bill Clinton, foi à Coreia do Norte negociar a libertação.
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