domingo, 19 de fevereiro de 2012

O último suspiro do Sendero Luminoso



Captura de Flores Hala, um dos últimos líderes do grupo terrorista, fortalece as credenciais centristas do atual presidente Ollanta Humala

19/02/2012 | Enviar | Imprimir | Comentários: nenhum | A A A
Quando Ollanta Humala foi eleito presidente do Perú no ano passado, muitos observadores temiam que ele reorientaria o país mais para a esquerda, em direção ao seu estridente passado. Em 12 de fevereiro, entretanto, Humala fortaleceu ainda mais suas recém-adquiridas credenciais como um centrista, quando uma força conjunta da polícia e do Exército prendeu Flores Hala, o líder dos remanescentes membros do grupo terrorista Sendero Luminoso, que aterrorizou o país nos anos 80. Governos peruanos sucessivos, principalmente o do autocrata Alberto Fujimori nos anos 90, já haviam reduzido o grupo maoista a uma mera sombra de si mesmo. Seu fundador e primeiro líder, Abimael Guzmán, foi pego em Lima em 1992, e seu sucessor, Óscar Ramíres, foi preso sete anos depois. A ala política do grupo, o Movimento por Anistia e Direitos Fundamentais (Movadef), buscou por muito tempo se registrar como um partido legal, mas desistiu há dois anos.
Entretanto, os membros remanescentes do grupo ainda eram uma ameaça à segurança pública. Flores, de 50 anos de idade, que atende por “Camarada Artemio”, havia comandado a facção do Sendero Luminoso no Vale do Huallaga, ao norte do país, por décadas. Em 2005 seus guerrilheiros emboscaram uma patrulha policial e mataram oito oficiais. Embora ele tenha anunciado um cessar-fogo unilateral em uma entrevista em dezembro e dito que queria negociar, Humala rejeitou a proposta.
Em 9 de fevereiro, forças de segurança com o conhecimento do paradeiro de Flores lançaram um ataque ao seu campo improvisado nas selvas do norte do Peru. Um membro da equipe conseguiu atirar em Flores. Eles o alcançaram novamente três dias depois e ficaram surpresos ao encontrá-lo vivo, esgotado e sangrando. Flores se entregou sem resistência, dizendo simplesmente “eu perdi”. Seu interrogatório começa em poucos dias, e ele provavelmente será sentenciado à prisão perpétua após o julgamento. A maior parte dos seus comandantes militares e políticos já foram presos ou mortos, e ele não tem nenhum sucessor conhecido.

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