terça-feira, 4 de setembro de 2012

A estranhíssima história dos fascistas gays



Com a exceção de Jean-Marie Le Pen, praticamente todos os fascistas europeus do alto escalão dos últimos 30 anos são gays. É hora de admitirmos algo: o fascismo não é algo que acontece lá fora, um hábito adquirido por garotos heteros. Ele é – pelo menos em parte – uma coisa gay.

A notícia de que Jorg Haider – um líder fascista austríaco – despendeu parte das horas finais da sua vida com um fogoso homem loiro chocou algumas pessoas. Isso não me deixou chocado. Esse assunto é um tabu para um homem gay de esquerda como eu tratar, mas sempre houve uma estranha e desproporcional correspondência entre homossexualidade e fascismo. Respire fundo; aqui vai.
Algo próximo de 10 mil gays foram mortos nos campos de concentração nazistas. Outros tantos foram humilhados, presos, deportados, castrados ou vítimas de uma limpeza étnica. Um sobrevivente gay dos campos, LD Classen von Neudegg, relatou em escrito suas experiências. Uma pequena amostra: “Três homens tentaram escapar uma noite. Eles foram capturados e, quando foram trazidos de volta, tiveram a palavra “homo” rabiscada por toda a  roupa. Eles foram colocados em um bloco do campo e chicoteados. Então eles foram forçados a tocar um tambor e dar vivas: “Hurrah! Estamos de volta! Hurra!”, e logo após foram enforcados”. Das histórias documentadas no livro, essa é uma das mais brandas.
Desse modo, a ideia de um gay fascista soa ridícula. Ainda assim, quando o Partido Nacional Britânico (PNB) [British National Party] – a nossa versão doméstica dos fanáticos negadores do Holocausto – anunciou que estava colocando no páreo um candidato abertamente gay nas eleições europeias em junho, os dedicados seguidores do fascismo absolutamente não se abalaram. A verdade, que fora até então distorcida, é que os homens gays sempre estiveram no cerne de todos os grandes movimentos fascistas que já existiram – incluindo o Terceiro Reich gaseificador de gays e “homocida”. Com a exceção de Jean-Marie Le Pen, praticamente todos os fascistas europeus do alto escalão dos últimos 30 anos são gays. É hora de admitirmos algo: o fascismo não é algo que acontece lá fora, um hábito adquirido por garotos heteros. Ele é – pelo menos em parte – uma coisa gay, portanto, é hora dos gays não fascistas acordarem e encararem a música da marcha.
Preste atenção no nosso próprio continente na última década. O fascista holandês Pim Fortuyn defendeu princípios flagrantemente racistas e etnocentristas quando descreveu o Islã como “um câncer” e “a maior ameaça à civilização ocidental nos dias de hoje”. No entanto ele tinha dois cachorrinhos fofos e um complexo de madame, além de ser alegadamente – e visivelmente – gay. Quando fora acusado por um político de odiar os árabes, ele respondeu, “Como eu posso odiar os árabes? Eu chupei um ontem à noite.”
Jorg Haider reduziu a pó a política austríaca pós-nazista em 2000 quando seu partido neofascista, o “Partido da Liberdade”, ganhou um quarto dos votos e entrou no governo daquele país como um parceiro de coalizão. Sempre surgiram vários fatos sobre ele na imprensa internacional: o queixo quadrado, o torso musculoso, o pai apoiador da SS, o raivoso antissemitismo, o ódio pelos imigrantes, a descrição de Auschwitz e Dachau como “centros de punição”... Alguns jornais mencionaram que ele sempre andava rodeado de homens jovens fanáticos e malhados. Outros foram além e mostraram que vários desses homens jovens eram abertamente gays. Então um jornal de esquerda alemão deu a notícia que todos estavam insinuando: eles alegaram que Haider era gay.
Rumores de um garçom indiano contendo “íntimos detalhes” do corpo de Haider estouraram na imprensa. O diretor do Partido da Liberdade, Gerald Miscka, rapidamente renunciou em meio a acusações de que ele era amante de Haider. Walter Kohler, um amigo gay próximo de Haider – que fora fotografado com uma pistola em coldre enquanto Haider gargalhava – disse ser contra os políticos 'saírem do armário'. Haider – que era casado e tinha dois filhos – manteve-se quieto enquanto seus funcionários negavam o rumor. A revelação de que ele morreu após sair de um bar gay sugere que esses rumores eram verdadeiros.
E assim vai. Se você fizer um passeio pela Europa, apenas parando nos fascistas gays, não haverá muitos lugares para sentir falta. O líder fascista do pós-guerra na França era Edouard Pfieffer, e a espada dele não estava exatamente cortando para o mesmo lado dos heteros. O principal líder neonazista alemão dos anos 80 chamava-se Michael Kuhnen; ele morreu de AIDS em 1991 alguns anos após sair do armário. Martin Lee, autor de um estudo do fascismo na Europa, explica: “Para Kuhnen, havia algo de 'supermacho' em ser um nazista, assim como ser homossexual, ou seja, duas coisas que reforçavam o senso de viver no limite, de pertencer a uma elite predestinada a causar impacto. Ele disse a um jornalista da Alemanha Ocidental que os homossexuais eram 'especialmente adequados para a tarefa, pois eles não tinham laços com esposas, filhos ou família'”.
E não demoraria até sua viagem chegar à Grã-Bretanha. À primeira vista, nossos nazistas parecem militantemente heteros. Eles tentaram acabar com paradas gays, descreveram os gays como “maus” e o líder do PNB Nick Griffin reagiu encantadoramente aos ataques a bomba ao pub Admiral Duncan em 1999 dizendo em uma coluna que “As imagens da TV mostrando os manifestantes gays [do lado de fora da cena da carnificina] ostentando suas perversões na frente dos jornalistas do mundo todo mostraram porque tantas pessoas comuns acham essas criaturas repulsivas.”
Mas arranhe essa superfície homofóbica e então logo verás uma suástica de lycra por baixo. Em 1999, Martin Webster, um ex-organizador do National Front e chefão do movimento fascista britânico, escreveu um panfleto de quatro páginas detalhando seu 'caso' com Nick Griffin. “Griffin pediu para ter relações íntimas comigo”, explicou o abertamente gay Webster; “...no final dos anos 70. Ele era vinte anos mais novo que eu”. Ray Hill, que infiltrou no movimento fascista britânico por doze anos para coletar informações para os grupos antifascistas, disse que tudo isso é bem plausível. A homossexualidade é “extremamente prevalecente” nos altos escalões da extrema direita britânica e, durante um período dos anos 80, metade dos organizadores eram gays, segundo ele.
Gerry Gable, editor da revista antifascista 'Searchlight' explica: “Eu olhei por décadas os grupos nazistas britânicos e essa hipocrisia homofóbica estava lá o tempo todo. Eu não consigo lembrar de qualquer organização da extrema direita que não tem atacado pessoas em razão da sua orientação sexual e, ao mesmo tempo, conter muitos oficiais e ativistas gays”.
O suposto caso gay de Griffins seria mais um na longa tradição fascista britânica. O líder do movimento skinhead por toda a década de 70 foi um bandido louco e musculoso chamado Nicky Crane. Ele foi o ícone de uma onda reacionária contra imigrantes, feministas e o modo de vida hippie dos anos 60. O movimento liderado por ele enfatizava a conformidade em uma norma delimitada e desumanizada que lembrava os movimentos fascistas clássicos; logo Crane se tornou um veterano e líder no National Front. Ah sim, e ele era gay. Antes de morrer de AIDS em meados da década de 80, Crane veio a público e admitiu ter feito vários filmes pornográficos gays. Apenas antes de morrer em 1986 foi permitido a ele participar de uma parada do orgulho gay em Londres, embora mesmo assim ele ainda dissesse ter “orgulho de ser fascista”.
O atrito entre fascistas gays e progressistas britânicos gays culminou raivosamente em 1985, quando o Movimento Skinhead Gay abriu uma boate no Centro Gay de Londres. Várias lésbicas opuseram-se à "invasão" do centro. Elas sentiram que o culto dos "homens de verdade" e a presença de bandidos hipermasculinos estava incitando os sentimentos mais baixos "no local, no movimento gay, onde você menos espera".
Essa Gaystapo tinha um ícone para reverenciar, um Führer alternativo para adorar: o perdido líder fascista gay Ernst Rohm. Junto com Adolf Hitler, Rohm foi um dos pais fundadores do nazismo. Nascido de servidores civis conservadores da Bavária em 1887, a vida de Ernst Rohm começou – segundo ele mesmo – nas trincheiras “heroicas” da Primeira Guerra Mundial. Como tantos que formaram o Partido Nazista, ele ficou excitado e obcecado com o mito homoerótico das trincheiras – heroico, com belos garotos preparados para morrer pelos seus irmãos e pelo país.
Ele emergiu da guerra com uma cicatriz de bala no rosto e uma reverência pela guerra. Como ele mesmo coloca em sua autobiografia, “Como eu sou um homem imaturo e perverso, a guerra e a agitação atraem me mais do que a boa ordem burguesa”. Depois de sair da vida militar, ele tentou sem entusiasmo obter uma posição na vida civil, mas ele estava lá como um peixe fora d’água, um burguês chato. Ele não tinha crenças políticas, apenas preconceitos – particularmente o ódio pelos judeus. O historiador Joachim Fest descreve a geração de Rohm dos alienados, desmobilizados e jovens humilhados pela derrota como “agentes da revolução permanente sem qualquer ideia revolucionária do futuro, apenas um desejo de eternizar os valores da trincheira”.
Foi Rohm quem primeiro percebeu o potencial da caixa de sabão falante chamada Adolf Hitler. Rohm viu nele o demagogo que ele precisava para mobilizar o apoio para o seu plano para destruir a democracia e estabelecer um “Estado Soldado” que governaria sem entraves. Ele apresentou o jovem fascista aos políticos locais e líderes militares; todos conheceram Hitler por muito tempo como o “garoto de Rohm”. O historiador gay Frank Rector diz que “Hitler era em grande parte o protegido de Rohm”. Rohm integrou Hitler ao seu movimento clandestino que planejava derrubar a República de Weimar.
A flagrante homossexualidade de Rohm parece bizarra vista agora, dado o genocídio gay que se seguiu [quando o Nazismo chegou ao poder]. Ele falou abertamente sobre sua inclinação por bares gays e banhos turcos, e ainda assim ele era conhecido por sua virilidade. Ele acreditava que os homossexuais eram superiores aos heterossexuais e viu na homossexualidade um princípio chave da sua proposta de Nova Ordem Mundial Fascista. Como o historiador Louis Snyder explica, Rohm “projetou uma ordem social em que a homossexualidade seria tida como um padrão de comportamento humano de alta reputação... Ele ostentou sua homossexualidade em público e insistiu para que seus comparsas fizessem o mesmo. Ele acreditava que pessoas heterossexuais não eram tão adeptas a intimidação e agressão como os homossexuais, por isso a homossexualidade foi tida com alta estima na SA [Sturmabteilung]”. Eles promoveram uma forma agressiva e hipermasculina de homossexualidade, condenado as “mulheres histéricas de ambos os sexos”, fazendo referência aos homens afeminados.
A crença na superioridade da homossexualidade tem forte tradição na Alemanha e cresceu mais ainda desde a virada do século XIX para o XX em volta de Adolf Brand, editor da primeira revista gay daquele país. Você poderia chamá-los de ‘Transviados do Povo’ [Queer of the Volk]: eles pregavam que os homens gays foram a base de toda as nações e representavam uma elite, a casta guerreira que deve governar. Eles veneravam os antigos cultos guerreiros de Esparta, Tebas e Atenas.
Por várias vezes Rohm fez referência à antiga tradição grega de mandar casais gays para a batalha, pois acreditava-se que eles eram guerreiros mais ferozes. A famosa passagem de Termópilas, por exemplo, que foi defendida por 300 soldados – considerados 150 casais gays. Em seus primeiros anos, a SA – o exército clandestino de Hitler e Rohm – era visto como predominantemente gay. Rohm designou seus amantes para os postos proeminentes, fazendo de Edmund Heines seu delegado e Karl Ernst o comandante da SA em Berlim. A organização às vezes se reunia em bares gays. O historiador da arte gay Christian Isermayer disse em uma entrevista: “Eu conheci pessoas da SA. Eles costumavam fazer festas da pesada mesmo em 1933... Cheguei a ir a uma. Estava muito bem-comportada, mas tremendamente gay. Mas nesses dias a SA era ultra-gay.”
Em 30 de junho de 1934, Rohm foi acordado em um hotel berlinense pelo próprio Hitler. Ele se pôs de pé e saudou, “Heil Mein Führer!”, e em resposta Hitler disse: “Você está preso” e assim ele foi retirado de lá do jeito que estava e fora enviado para a prisão de Standelheim. Naquela noite ele foi executado; Rohm foi o sujeito de mais alto escalão morto no massacre conhecido como “Noite das facas longas”.
Hitler suspeitava que Rohm estivesse sendo politicamente desleal a ele, mas o assassinato dele começou uma ferrenha perseguição aos gays. Heinrich Himmler, chefe da Gestapo, descreveu a homossexualidade como “um sintoma de degenerescência que poderia destruir nossa raça. Precisamos voltar aos princípios orientadores dos nórdicos: exterminação dos degenerados”.
O historiador alemão Lothar Machtan argumenta que Hitler matou Rohm – e boa parte dos figurões da SA – para silenciar a especulação sobre suas próprias experiências homossexuais. As ‘evidências’ do historiador sobre Hitler ser gay não são sólidas e tem sido questionadas por vários historiadores, embora algumas descobertas são, pelo menos, sugestivas. Um amigo próximo de Hitler da época da adolescência, August Kubizek, alega um caso ‘romântico’ entre eles. Um mensageiro militar que serviu junto de Hitler na Primeira Guerra Mundial, reivindicou ter visto Hitler manter relações sexuais com outro homem. Hitler era de fato próximo a vários homens gays e, aparentemente, nunca teve uma relação sexual normal com um uma mulher, inclusive sua esposa Eva Braun.
Rudolph Diels, fundador da Gestapo, não esqueceu alguns dos pensamentos particulares de Hitler sobre a homossexualidade: “Ele afirmou que isso [a homossexualidade] destruiu a Grécia antiga. Uma vez disseminada, ela estende seus efeitos contagiosos como uma inevitável lei da natureza mesmo aos melhores e mais masculinos caráteres, eliminando da procriação os homens que o povo [Volk] mais precisa”. Essa ideia de que a homossexualidade é ‘contagiosa’ e, implicitamente tentadora, é reveladora.
Rohm é venerado nos sites homo-nazi que surgiram internet afora como vermes numa ferida. Eles têm nomes como Gays Against Semitism [Gays Contra o Semitismo] (com o charmoso acrônimo GAS) e Aryan Resistance Corps [Corpo de Resistência Ariana] (ARC). A filosofia ‘rohmnita’ deles é simples: enquanto homens brancos são superiores às outras raças, homens gays são os “mestres da Raça Mestra”. Apenas eles receberam a “capacidade de se relacionarem apenas com homens” e o “intelecto superior” necessário a “uma revolução fascista”. A ARC até mesmo organiza fins de semana de “encontros” para que seus membros possam “relaxar na companhia dos seus outros companheiros brancos”.
Deste modo, fica fácil concordar que os gays não foram contaminados pelo fascismo. Na verdade, boa parte do tempo eles estiveram no âmago dele. Isso suscita uma questão maior: Por quê? Como podem os gays – que na maior parte do tempo são as vítimas da opressão e do ódio – tornarem-se integrantes do mais odioso e maldoso movimento político que já existiu? Seria isso uma forma extrema de autoflagelação, um equivalente político ao garoto que corta os próprios pulsos por conta do ódio por si mesmo?
O ator e diretor de filmes gays pornográficos, Bruce LaBruce, tem uma explicação. Ele reivindica que “toda a pornografia gay dos dias de hoje é implicitamente fascista. O fascismo está nos nossos ossos, pois é sempre a respeito de glorificar a supremacia do homem branco e fetichizar a dominação, crueldade, poder e figuras monstruosas de autoridade”. Ele tentou explorar a relação entre homossexualidade e fascismo em seus filmes, começando com ‘No Skin Off My Ass’ de 1991. Em seu perturbador filme de 1999, ‘Skin Flick’, um casal gay burguês – composto por um branco e um negro – são sexualmente aterrorizados por uma gang de skinheads gays que se masturbavam com o ‘Mein Kampf’ e que batiam nos gays passivos. Ele deixou implícito que as normas gays burguesas facilmente se desmoronam para dar lugar a um fascismo que até então era apenas latente; o filme acaba com o personagem negro sendo estuprado na frente do seu amante branco parcialmente excitado, enquanto a gangue racista canta “fodam o macaco”.
Eu decidi rastrear alguns fascistas gays e perguntar a eles diretamente. Wyatt Powers, diretor da ARC disse: “Eu sempre soube no meu coração que ser racista e gay era moralmente certo. Eu não vejo conflito algum entre os dois. É apenas essa mídia sionista que tenta nos convencer de que esse racismo é a mesma coisa que a homofobia. Você pode ser extremamente nacionalista e gay sem qualquer contradição alguma”.
Um comentário em um fórum gay na internet vai além na insanidade racista. Um homem gay de Ohio diz que
“Mesmo se você for branco e gay, ou retardado gay, VOCÊ É BRANCO E ACABOU! Em vez de deixar a raça branca ser extinta por conta de outras raças desprezíveis, tais como os africanos ou os mexicanos, que literalmente brotam milhões de bebês por dia, nós precisamos lutar contra essa porcaria bagunçada que eles estão fazendo. Eles estão estuprando nosso país”.
É verdade que o racismo e a homofobia não são a mesma coisa, mas como o rabino Bernard Melchman explica, “a homofobia e o antissemitismo corriqueiramente são sintomas da mesma doença”. Racistas na maior parte das vezes são homofóbicos. Mesmo após ler toda essa verborragia na internet, eu não me senti próximo de entender por que tantos homens gays aliam-se com pessoas que sempre se voltarão contra eles no final, assim como os nazistas fizeram.
O veterano dos direitos gays Peter Tatchell tem uma explicação inteligente e intrigante. Segundo ele, “há muitas razões para esse tipo de coisa. Uma delas é por conta de parte deles viverem em negação. Eles estão indo para o caminho da hiper masculinidade, o meio mais extremo possível de ser um homem. É um modo de jactantemente rejeitar a visível afeminação de ‘outro’ homossexual. Esses homens problemáticos têm uma crença simples na cabeça: ‘Homens héteros são durões; Bichas são fracotes; Portanto, se eu for durão, eu não posso ser uma bicha’. É um modo desesperado de provar a masculinidade”.
A revista ‘Searchlight’ – a bíblia do movimento anti-fascista na Grã-Bretanha, com infiltrados em todos os movimentos expressivos de extrema direita – oferece uma explicação alternativa. “Geralmente condenados por uma sociedade que continua a ser amplamente hostil aos gays, alguns homens buscam refúgio e um novo status de poder na extrema direita”, disse um dos colaboradores da revista. “Por meio da fidelidade política mostrada pelos grupos fascistas, uma nova identidade emerge – a de que não existem excluídos, pois eles são Homens Brancos, superior a todos os outros. Eles proporcionam ao gay a visibilidade de parte da sua identidade – ou rejeitam as partes socialmente menos aceitáveis, como, por exemplo, ser afeminado – enquanto se gabam daquilo que sobra como superior”.
Mas ainda há outra importante questão: os movimentos fascistas irão inevitavelmente virar-se contra os gays? No caso dos nazistas, parece ter sido algo bem arbitrário; O principal motivo pelo qual Hitler assassinou Rohm não estava relacionado à sua sexualidade. Da minha perspectiva progressista de esquerda, o fascismo é totalmente mau; mas deveriam todos os gays verem o fascismo como inimigo dos seus interesses? É possível existir um fascista gay que não estava agindo contra seu próprio interesse? O fascismo é frequente definido como “uma ideologia política que advoga em causa de um governo hierárquico que sistematicamente nega a igualdade a certos grupos”. É verdade que essa hierarquia poderia beneficiar o gay em detrimento de, digamos, os negros. Mas dada a prevalência da homofobia, não é esse – mesmo para as pessoas que não veem o fascismo como algo inerentemente mau – um perigoso risco a se correr? Uma cultura que se torna violentamente a favor de uma minoria não acaba se virando contra os gays no final? Essa parece, em última análise, a lição da esquálida e miserável vidinha de Ernst Rohm.
A crescente evidência do papel desempenhado pelos gays nos movimentos fascistas foi abusada por alguns homofóbicos. Em um amalucado trabalho de história revisionista chamado ‘A Suástica Pink’, o ‘historiador’ Scott Lively tenta culpar os gays por todo o Holocausto, e descreve os assassinatos de homens gays nos campos de concentração como mera “violência entre gays”. Um emblemático site comentando sobre o livro reivindica de modo absurdo que “A Suástica Pink mostra que há muito mais brutalidade, estupros, torturas e assassinatos de pessoas inocentes cometidos por nazistas homossexuais do que jamais teve contra os próprios homossexuais”.
Contudo, não podemos permitir que esses loucos evitem um período de séria autorreflexão do movimento gay. Se Bruce LaBruce estiver certo, muitos dos principais elementos da cultura gay – culto ao corpo, louvor ao forte, fetiche por figuras de autoridade e crueldade – dão espaço para o vírus fascista se infiltrar. Será que alguns gays realmente precisam ainda aprender que os fascistas não irão trazer uma Fabulosa Solução para os gays, mas uma Solução Final para todos nós?

Johann Hari é colunista dos jornais esquerdistas Huffington Post e The Independent. Gay, se diz secularista e ateu.
Publicado no Huffington Post.
Tradução: Leonildo Trombela Junior

Rússia reativa antigas bases militares soviéticas nos três oceanos



A Marinha de guerra russa negocia a reabertura de suas bases navais em Cuba, Vietnã e Ilhas Seychelles, as quais foram fechadas após a queda da URSS, informou o diário espanhol “El País”.

O vice-almirante Victor Chirkov, comandante da Marinha russa, explicou à agência oficial RIA-Nóvosti:“Estamos estudando a criação de pontos de assistência e manutenção no território de Cuba, nas ilhas Seychelles e no Vietnã”. 
Desta maneira, a Rússia restaurará sua presença militar nos três oceanos.

Ele reconheceu que o objetivo do país para os próximos anos é “o desenvolvimento das forças da Armada russa para além das fronteiras da Federação”.
O líder cubano Raúl Castro, mais necessitado do que nunca do apoio de seu antigo aliado e grande financiador, visitou recentemente Moscou para tratar do incremento da cooperação militar com seu antigo patrão.

A aliança continuava intocada, porém a Rússia ficou impotente para financiar a ditadura marxista cubana.
Agora está melhorando economicamente, em virtude dos massivos investimentos em campos de gás e petróleo feitos pela União Europeia no país.

A Rússia fechou em 2001 a base de espionagem eletrônica de Lourdes, voltada contra os EUA, peça importante do esquema anti-ocidental soviético na Guerra Fria.

Esta é precisamente uma das bases que Moscou quer reativar.

Em dezembro de 2008, uma flotilha russa liderada pelo destróier anti-submarino 'Almirante Chabanenko' ancorou no porto de Havana, tão somente a 90 milhas de Miami (Estados Unidos), por vez primeira desde 1991.

Segundo o diário “Pravda”, “até agora não se trata dos planos para uma presença militar, mas sim da restauração dos recursos da tripulação”.

Está se excogitando o mais importante e demorado: a criação das bases. Quando estas estiverem prontas, bastará trasladar a tropa de combate.
Por sua vez, o presidente do Vietnã, Truong Tan Sang, garantiu à rádio “A Voz de Rússia” que vai ceder território de seu país para que os russos construam um centro de apoio no porto de Kamran, mas nunca uma base militar como nos tempos soviéticos.

A declaração se encaixa como anel no dedo na atual fase de desenvolvimento do plano de Putin.

Um pouco antes, o presidente da República das Seychelles, James Michel, fez “uma declaração inequívoca”, acrescentou o “Pravda”. As Seychelles, no Oceano Índico, sempre foram zona de influência soviética.

Em 1981 a Marinha Soviética sustentou o governo ameaçado de cair e, antes do colapso da URSS, os soviéticos tinham presença constante na área.
A Rússia voltou a patrulhar os oceanos Atlântico e Pacífico além do Mediterrâneo.

Até o momento ela só contava com duas bases navais no exterior: no porto de Tartus, na Síria, e em Sebastopol, na Ucrânia.

O programa de rearmamento anunciado pelo Kremlin prevê despesas bilionárias até 2020.

A frota russa tem uma vintena de fragatas e corvetas garantidas, além de quatro porta-helicópteros da classe Mistral.

O presidente-ditador Putin, na reunião do G20, em junho, tinha feito “uma declaração repentina dura para a imprensa”, acusando os EUA de não cumprimento de compromissos assumidos.

E acrescentou:
“Em Cuba, há baías convenientes para os nossos navios de guerra e reconhecimento, uma rede dos chamados ‘campos de pouso de salto’. Com o pleno consentimento da direção cubana, em 11 de maio deste ano, o nosso país não só voltou a trabalhar no centro eletrônico de Lourdes, mas também colocou novos móveis mísseis nucleares estratégicos Oak”.
O ditador, que sonha restaurar o poderio soviético, reafirmou que “é óbvio que a Rússia não vai simplesmente fazer ‘descanso’ para seus marinheiros na área”, concluiu cinicamente o jornal russo, porta-voz oficioso das vontades do Kremlin.

Para a Força Aérea russa, Putin prometeu até 2020 mais 1.600 aeronaves.

Anunciou ainda 600 aviões e 1000 helicópteros extras, num plano orçado em US$ 720 bilhões, noticiou a Folha de S. Paulo ( em 12/08/2012).


Luis Dufaur
, escritor, edita o blog Flagelo Russo.

IPI menor não foi suficiente para alavancar indústria



Incentivo do governo para setor de automóveis, eletrodomésticos da linha branca e itens de mobiliário não tiveram resultado esperado






Montadora Ford, em São Bernando do Campo


Montadora Ford, em São Bernardo do Campo. Redução do IPI ajudou recuperação, mas não foi suficiente para alavancar crescimento da indústria (Paulo Whitaker/Reuters)
A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) está por trás da recuperação de setores beneficiados, mas não foi suficiente para alavancar o crescimento da indústria, segundo André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
"Segmentos que de alguma forma foram favorecidos (pelo governo), especialmente pela redução de IPI, mostram comportamento diferenciado em relação a meses anteriores, como os automóveis, os eletrodomésticos da linha branca e itens de mobiliário que fazem parte dos bens duráveis", disse Macedo.
"Mas, em termos de uma magnitude de crescimento maior para a indústria como um todo, isso acaba não tendo efeito de ampliar o crescimento industrial, porque ainda há outras atividades que não cresceram. Ainda há um predomínio de atividades em queda", acrescentou.
Na passagem de junho para julho, apenas 12 dos 27 ramos investigados registraram crescimento na produção. Entre os setores que tiveram as maiores perdas na passagem de junho para julho estão produtos de metal (-6,7%), outros equipamentos de transporte (-7,4%), farmacêutica (-4,8%), material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (-4,1%) e máquinas para escritório e equipamentos de informática (-4,8%).
O avanço no setor de veículos automotores foi de 4,9%, máquinas e equipamentos teve aumento de 3,0%, enquanto mobiliário caiu 3,1%. Entretanto, dentro de mobiliário, os itens considerados bens de capital, como móveis para escritório, explicam a queda, enquanto o mobiliário que se encaixa na categoria de bens duráveis registrou expansão, explicou Macedo.
"O setor de máquinas e equipamentos teve o quarto resultado positivo consecutivo. Parte desse resultado é puxada pelo maquinário para o setor industrial e para fins agrícolas, mas também é explicada pela fabricação de eletrodomésticos da linha branca. O setor acumulou 5,4% de alta nesses quatro meses de crescimento", contou o gerente do IBGE.
(Com Agência Estado)









Nada de ocas


14 coisas que você não sabia sobre os nossos índios
Eles não dormem em ocas, aproveitam a eletricidade e falam português. Dados revelados pelo IBGE mostram o retrato do índio brasileiro hoje.
Marco Prates - Revista Exame - 10/08/2012.
São Paulo – A mais atualizada pesquisa sobre a população indígena do Brasil foi divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números revelam um panorama bem diferente do que os portugueses encontraram em 1500.
É o português, aliás, a língua dominante. Mais de um terço dos índios vive em áreas urbanas e quase ninguém dorme dentro de ocas ou malocas. Alguns se declaram índios, mas não sabem a que etnia pertencem.
Confira abaixo os destaques das informações obtidas a partir do Censo 2010:
1) Existem 896,9 mil indígenas no país
Em 1500, estimativas de historiadores é que este número seria de até cinco milhões.
2) Um em cada 3 vive em áreas urbanas
O IBGE descobriu que 36,2% da população indígena reside em área urbana e 63,8% na área rural. Entre as regiões, o maior contingente fica na região Norte, 342,8 mil indígenas, e o menor no Sul, 78,8 mil.
3) O português domina
Dos indígenas com 5 anos ou mais de idade, 37,4% falam uma língua indígena e 76,9% falam português. Fora das terras demarcadas em todo o território nacional, somente 12,7% falam alguma língua indígena. Em compensação, entre aqueles com mais de 50 anos de idade dentro das terras demarcadas, quase 98% não falam português.
4) Quase 80 mil deles não se declaram índios
Pela primeiravez, o IBGE contou não somente as pessoas que se declararam indígenas, mas também as que, apesar de viver em áreas demarcadas e se considerar indígenas em termos de tradições e costumes, declaravam-se de outra cor ou raça. 78,9 mil indígenas foram contados assim, sendo que 70% desses se declaravam pardos.
5) Existem oficialmente no Brasil 305 etnias que falam 274 línguas
Pela primeira vez, o IBGE contabilizou estes números.
6) Parte deles não sabe a que etnia pertence
Exatos 147,2 mil índios (16,4%) não souberam dizer a que etnia pertenciam. Outros 6% não declararam.
7) Eles têm para si 1/8 do território brasileiro
O território demarcado está dividido em 505 terras identificadas que totalizam 106,7 milhõesde hectares (12,5% do Brasil), concentrados na Amazônia Legal. Dessas, 291 tem populações em que vivem entre cem e mil índios.
8) Os Tikúna são oficialmente os mais numerosos do Brasil
Com 6,8% do total de índios (46,1 mil), os Tikúna são a etnia mais numerosa do país, seguidos por Guarani Kaiowá, com 43,4 mil. Considerando os que vivem em uma mesma terra, porém, a liderança é dos Yanomámis, que totalizam 25,7 mil pessoas em área nos estados do Amazonas e Roraima.
9) População jovem
No Brasil, 22,1% da população em geral tem entre 0 e 14 anos. Já na população indígena,quase metade (45%) tem esta idade.
10) Mais da metade deles não ganha nada
Quando se trata de rendimentos, 52,9% dos índios não recebe nada, proporção ainda maior nas áreas rurais (65,7%). O IBGE ressalta, no entanto, que esta informação é de difícil mensuração, pois muitos trabalhos são feitos coletivamente e a relação com a terra tem enorme significado, sem a noção de propriedade privada. Na região Norte, por exemplo, 92,6%, das pessoas indígenas de 10 anos ou mais recebiam até um salário mínimo ou não tinham rendimentos.
11) Quem mora em oca ou maloca é minoria
Somente 12,6%dos domicílios são do tipo “oca ou maloca”. As casas é que predominam. Mesmo nas terras indígenas, ocas e malocas não eram muito comuns: em apenas 2,9% das 505 terras todos os domicílios eram desse tipo. Em 58,7% desses locais, elas não foram nem mesmo observadas.
12) Três em cada 4 deles são alfabetizados
Entre 2000 e 2010, a taxa de alfabetização dos indígenas com 15 anos ou mais de idade (em português e/ou no idioma indígena) passou de 73,9% para 76,7%. Hoje, o índice nacional considerando índios e não índios é de 90,4%.
13) Sem registro
A proporção de indígenas com registro de nascimento (67,8%) é menor que a de não indígenas(98,4%).
14) Apenas 10% deles vive no escuro
A energia elétrica de companhia distribuidora ou outras fontes, dentro das terras, chega a 70,1% dos domicílios. Considerando o total de terras indígenas, apenas 10,3% não tinham qualquer tipo de energia elétrica.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Filho de líder do PC chinês bate Ferrari e causa novo escândalo


Jornal de Hong Kong diz que comunistas tentaram esconder filiação de jovem morto em acidente

03 de setembro de 2012 | 19h 49



Cláudia Trevisan, correspondente em Pequim
PEQUIM - Um acidente que destroçou uma Ferrari em Pequim há cinco meses deu origem ao mais novo escândalo envolvendo a cúpula do Partido Comunista da China. Segundo reportagem desta segunda-feira, 3, no jornal South China Morning Post, de Hong Kong, o jovem que morreu no choque do carro contra um muro da capital é filho do homem que até sábado desempenhava as funções de chefe de gabinete do presidente Hu Jintao.
Hu Jintao, presidente da China - Diego Azubel/AP
Diego Azubel/AP
Hu Jintao, presidente da China
Cotado para assumir uma das 25 cadeiras do Politburo no Congresso do Partido Comunista em outubro, Ling Jihua, de 55 anos, perdeu o cargo de principal assessor do presidente e ganhou uma posição decorativa na estrutura da organização.
Informações sobre o acidente ocorrido em 18 de março foram bloqueadas pela censura chinesa, o que levou à especulação de que o jovem seminu que estava em seu interior era filho de um dirigente chinês. Além dele, havia duas mulheres na Ferrari - uma nua e outra seminua. Ambas sofreram graves ferimentos e se recuperaram. Citando fontes do Partido Comunista e da imprensa estatal, o South China Morning Post afirma que o jovem morto era Ling Gu, filho do ex-chefe de gabinete de Hu. De acordo com a reportagem, as autoridades de Pequim montaram uma operação para acobertar o acidente e evitar sua ligação à cúpula governante.
A revelação se transformou em uma arma poderosa na luta de facções que consome o Partido Comunista nos meses que antecedem o congresso de outubro, quando a atual geração de líderes passará o bastão. Os que saem de cena, como Hu Jintao, se esforçam para colocar aliados em postos-chave, que possam perpetuar sua influência. E Ling Jihua era um dos candidatos mais próximos ao presidente.
A revelação de que o filho de pouco mais de 20 anos de um líder do Partido Comunista tinha uma Ferrari já seria motivo suficiente para escândalo na China. As circunstâncias do acidente e os esforços para acobertá-lo tornam a situação ainda mais embaraçosa. O acidente ocorreu três dias depois do afastamento de Bo Xilai do cargo de secretário-geral do Partido Comunista em Pequim, no primeiro abalo do processo sucessório. Bo era cotado para assumir uma das nove cadeiras do órgão máximo de comando do país, o Comitê Permanente do Politburo.
Seu filho, Bo Guagua, é outro dos integrantes da elite chinesa com queda por carros de luxo, o que pode ter contribuído para o acobertamento do caso. "Ter dois filhos de altos líderes do partido dirigindo por aí em carros extremamente caros seria demais", disse à agência Bloomberg Joseph Fewsmith, diretor do Centro para Estudos da Ásia da Universidade de Boston.
 

Desastre na refinaria da Venezuela: tragédia anunciada


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O que está por trás da cortina de fumaça mortal? (Reprodução/Internet)
E AGORA, CHÁVEZ?


A explosão de uma refinaria não vai ajudar Hugo Chávez

fonte | A A A
Moradores de Los Taques, na costa oeste da península de Paraguaná na Venezuela, há muito tempo viveram à sombra da segunda maior refinaria de petróleo do mundo. Muitos moradores afirmaram que por vários dias, no final de agosto, eles notaram um cheiro estranho. “Como um gás ou algo assim, doeu as narinas e nos deixou tontos”, disse um deles, Ramón Salas. Na tarde de 25 de agosto, ele foi acordado por uma enorme explosão. A explosão arrancou grande parte do telhado de sua casa e destruiu as janelas.
Pelo menos 42 pessoas morreram e quase 100 ficaram feridas. Mais de 200 casas e uma dezena de empresas foram severamente danificadas ou destruídas. O quartel dos soldados da Guarda Nacional que fazia a segurança do local, foi totalmente devastado, matando pelo menos 20 soldados. Foi o pior desastre na história da empresa estatal Petróleo da Venezuela (PDVSA), e uma das piores explosões de refinaria da história. Os bombeiros levaram mais de três dias para extinguir o fogo de tanques de armazenamento inflamados pela explosão.
Na atmosfera carregada, seis semanas antes de uma eleição presidencial, as recriminações surgiram rapidamente. Rafael Ramírez, que é ao mesmo tempo ministro do Petróleo e presidente da PDVSA, culpou um vazamento de gás. Hugo Chávez, que está buscando um terceiro mandato de seis anos consecutivos, visitou o local, prestou solidariedade às vítimas e atacou os críticos que afirmavam que a culpa do desastre foi a negligência. Comentaristas pró-Chávez chegaram a alegar que a explosão foi uma sabotagem, planejada pela oposição.
Henrique Capriles, o candidato da oposição, ofereceu apoio às vítimas e pediu unidade. Ele também exigiu um inquérito, livre de “politicagem”. O Partido Comunista, aliado de Chávez, disse que os delegados sindicais devem participar da investigação. Iván Freitas, que lidera o sindicato dos trabalhadores do petróleo locais, disse que o desastre poderia ter sido evitado: ele afirmou que o sindicato se queixava de equipamentos danificados, vazamentos e falta de reparos.
Ramírez, presidente da PDVSA desde 2004, é um dos principais assessores de Chávez e foi recentemente confirmado em seu posto “para os próximos seis anos”. Ele se gabou de empregar apenas “chavistas”. Em sua administração, investimento e manutenção ficaram em segundo lugar para a receita do petróleo. No ano passado, a PDVSA pagou cerca de US$ 19 bilhões em impostos, royalties e dívidas. Apesar dos preços elevados do petróleo, a dívida da PDVSA aumentou para mais de US$ 40 bilhões. Em uma declaração anterior ao Parlamento, Ramírez admitiu que a manutenção essencial foi adiada “devido à falta de verbas”.
O desastre da refinaria aconteceu logo depois de outros casos polêmicos: um tiroteio dentro da prisão de Yare em 19 de agosto, que deixou pelo menos 26 presos mortos e o colapso quatro dias antes de uma ponte ligando Caracas ao leste da Venezuela. Será que tudo isso afeta a eleição? Algumas pesquisas continuam a mostrar o presidente com uma vantagem de dois dígitos, mas os outros candidatos estão chegando mais perto. O que está claro é que Capriles está ganhando terreno, e que a explosão não vai ajudar Chávez.
DE VOLTA AO TOPO comentários: (1)

Em vídeo, Farc confirmam diálogo de paz com governo e criticam Brasil



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DE SÃO PAULO
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
O líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Rodrigo Londoño Echeverry, confirmou os diálogos de paz com o governo do país em um vídeo publicado nesta segunda-feira.
Conhecido como Timochenko ou Timoleón Jiménez, ele aparece no início das imagens em um pronunciamento. "Chegamos à mesa de diálogo sem rancores nem arrogâncias".
Reprodução/Youtube/Noticiero LA F.m.
Líder das Farc confirma diálogo de paz em vídeo divulgado nesta segunda; guerrilha critica Brasil
Líder das Farc confirma diálogo de paz em vídeo divulgado nesta segunda; guerrilha critica Brasil
Após o pronunciamento, o chamado "Vídeo pela Paz" mostra um grupo de jovens guerrilheiros fazendo um rap em uma área de floresta. Na música, chamam o presidente Juan Manuel Santos de "pedante e burguês" que viu a necessidade de pedir a Cuba que medeie os diálogos de paz.
"Vou para Havana, desta vez para conversar com o burguês que nos procurava e não nos pôde derrotar. Vou para Havana, desta vez para conversar com aquele que me acusava de mentir sobre a paz. Vou para a Havana, sabem com que emoção vou conversar sobre a sorte da minha nação".
Na letra, os jovens criticam o Brasil por vender ao governo colombiano os aviões militares Super Tucanos, da Embraer, usados em operações aéreas contra a guerrilha. Os Estados Unidos também são lembrados por seu apoio no chamado Plano Colômbia.
Na semana passada, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, confirmou a aproximação com as Farc, depois que o canal de televisão internacional Telesur e outros meios informarem sobre o encontro entre as partes em Havana.
Em um discurso público ao país, Santos disse que "se desenvolveram conversas iniciais com as Farc para buscar o fim do conflito", sem dar mais informações.
As Farc pegaram em armas em 1964 e contam com 8.500 combatentes, segundo números oficiais. Começou como uma guerrilha com cunho ideológico, vinculada à esquerda radical, mas se tornou em um dos principais grupos associados ao narcotráfico.
ACORDO
Segundo documento que mostra o acordo, as negociações começarão em Oslo, na Noruega, e depois serão transferidas para Havana, onde serão desenvolvidas.
As conversas terão o apoio dos governos de Cuba e da Noruega, em ambos casos como "fiadores", e da Venezuela e Chile como "observadores".
Os detalhes aparecem no chamado "Acordo Geral para o Fim do Conflito e a Construção de uma Paz Estável e Duradoura", revelado na última segunda (27).
As partes signatárias do acordo assumem o compromisso de "pôr fim ao conflito como condição essencial para a construção da paz estável e duradoura" e "iniciar conversas diretas e ininterruptas".
A agenda do diálogo girará sobre os seguintes temas gerais: "política de desenvolvimento agrário integral, participação política, fim do conflito, solução ao problema das drogas ilícitas, vítimas e implementação, verificação e referenda".
+PELO MUNDO

Visão curta e visão mais curta



O livro dos Trinta e Seis Estratagemas chineses ensina: “Todo fenômeno é no começo um germe, depois termina por se tornar uma realidade que todo mundo pode constatar. O sábio pensa no longo prazo. Eis por que ele presta muita atenção aos germes. A maioria dos homens tem a visão curta. Espera que o problema se torne evidente, para só então atacá-lo.”
As duas perguntas que  o trecho sugere são:
1) Onde estão os germes?
2) Quando os problemas ficam evidentes, aparecem claros para todo mundo
 ao mesmo tempo?

A negligente resposta ao massacre da mina



No dia 16 de agosto, 36 mineiros grevistas foram mortos a tiros por policiais sul-africanos na mina de platina Lonmin, em Marikana – a noroeste do local de nascimento desta escritora, em Joanesburgo. Setenta e oito dos 3 mil grevistas amotinados ficaram feridos.
A resposta internacional ao massacre de Marikana manteve variações acerca do mesmo tema: "Eles estão matando seu próprio povo", embora eles não tenham dito exatamente assim, pois isso implicaria que os moradores brancos sitiados da África do Sul pós-apartheid não foram totalmente refratados no espectro nacional da ‘nação arco-íris’.
No entanto, como é de se esperar dos animais de carga que compõem a imprensa no Ocidente, a incredulidade sobre "policiais negros atirando nos mineiros negros" foi unânime.
Talvez a intenção do rebanho jornalístico fosse separar violência conduzida pelo Estado de violência tolerada pelo Estado. Essa última é certamente um privilégio de negros contra negros ou negros contra brancos. É assim, pois, na realidade, a maioria dos assassinatos de africanos na África e, incidentalmente, de africanos na América, é cortesia de outros negros.

Santos negociará com o narcoterror comunista. Isso é possível?



 

Agora sabemos que as FARC dialogavam em segredo com emissários de Santos enquanto seqüestravam, plantavam minas, recrutavam crianças, atentavam contra a população civil e exportavam drogas.

A decisão do presidente Juan Manuel Santos de abrir “negociações de paz” com as FARC, após um período de “contatos” secretos com o bando terrorista, em Cuba e outros países, como ele e um porta-voz das FARC acabam de admitir publicamente, é o resultado de uma acumulação de problemas irresolvidos do governo colombiano.
Esse anúncio sobrevem após a queda da popularidade do chefe de Estado colombiano e em meio à maior crise de segurança que o país vive. O aspecto mais visível dessa crise, porém não o único, são os episódios recentes de terror continuado em quatro estados do sul da Colômbia, um grave atentado em Bogotá contra um ex-ministro e jornalista, Fernando Londoño Hoyos, a nova onda de ataques a populações e de destruições de infra-estruturas elétricas e os tumultos indígenas do Cauca que pretendiam beneficiar as FARC tirando a força pública de corredores estratégicos para a segurança nacional.

Estados Unidos: eleições presidenciais, América Latina e Cuba



O exemplo mais desastroso da aposta obamista em prol dos pseudo “moderados” foi o apoio de Obama ao então presidente Lula, do Brasil, a quem chegou a elogiar como um modelo de aliado confiável.

1. As eleições presidenciais nos Estados Unidos, que se realizarão no próximo 6 de novembro, despertam natural interesse na América Latina e especialmente no Caribe, na ilha-cárcere de Cuba, no que diz respeito à política externa do próximo governo. Pela gravitação natural que os Estados Unidos continuam tendo nas Américas, o futuro político da América Latina em boa medida depende dos resultados das próximas eleições presidenciais norte-americanas.

Pro bono



Não silenciaram, sequer, ante as sentenças já prolatadas: insubmissos, refutam o juízo quase unânime e demolidor dos ministros do STF. Repetem, sem fadiga, que os fatos não existiram e que os réus são inocentes como donzelas quinhentistas.

À medida em que transcorrem os votos dos senhores ministros no julgamento do Mensalão, digo, da Ação Penal 470, dois fenômenos se vão configurando. No primeiro, evidencia-se a existência, no processo, de um sujeito oculto. Tão esperto, o sujeito, que sequer precisou de advogado. Ele é doutor. Doutor honoris causa. No segundo, vai desaparecendo o sorriso nos rostos dos advogados de defesa. Desenham-se condenações no horizonte de quase todos os réus. Se não uma sentença para ver o sol nascer quadrado (quando forem deduzidas as prescrições, tudo somado e ponderado, pode não sobrar muita coisa), ao menos uma sentença perante a opinião pública. E, para os políticos, um longo período sem foto em urna eletrônica.