terça-feira, 2 de outubro de 2012

O quê Ahmadinejad disse na ONU



O presidente iraniano omitiu de seu discurso um pequeno ponto: nomeadamente, aquele no qual Mahdi alcança a bondade global e o amor exterminando os ímpios.

O mundo ouviu um pronunciamento esclarecedor do presidente Mahmoud Ahmadinejad durante seu discurso do dia 26 de setembro na sede da ONU em Nova Iorque, que começou com o refrão: “Em nome de Alá, o Compassivo e Misericordioso...”. Tentando emplacar uma pose espiritual, o presidente iraniano disse: “Estou aqui para transmitir a mensagem divina e humanitária dos sábios homens e mulheres do meu país para vocês e para o mundo todo...”
O presidente Ahmadinejad então começou a enumerar as calamidades da história – guerras, cruzadas, assim como o “trágico incidente de 11 de setembro e as ações militares contra o Afeganistão e Iraque” que, segundo ele, “deixou milhões de mortos e desabrigados...”. Em seguida, o presidente fez considerações acerca da situação econômica global. A pobreza está aumentando, afirmou ele, e a dívida externa somada “de 18 países industrializados já ultrapassou os 60 trilhões de dólares...”. Daí Ahmadinejad ateve-se em acusações, dizendo que “as economias dependentes do consumismo e da exploração do povo servem apenas aos interesses de um limitado número de países”. Aludindo ao dólar americano, enfatizou que a “criação de ativos sem valor por meio do uso da influência e controle sobre os centros econômicos mundiais, constitui o maior abuso da história.”
Mais tarde, Ahmadinejad acusou “um único governo” de ter imprimido 32 trilhões – novamente uma óbvia referência aos Estados Unidos. Ele criticou o capitalismo como modelo de desenvolvimento, dizendo que ele levou a economia para um “círculo vicioso” que engatilhou uma “mórbida e devastadora competição”. O presidente iraniano disse que o desenvolvimento por meio do capitalismo é uma “prática fracassada”.
Alterando o rumo para assuntos culturais, Ahmadinejad iniciou um ataque moral aos líderes do mundo capitalista: “do ponto de vista dos políticos que controlam os centros de poder do mundo, conceitos tais como princípios morais, pureza, honestidade, integridade, compaixão e sacrifício voluntário são rejeitados por serem considerados antiquados”. Ele então ofereceu apoio às “culturas puras e indígenas que são produtos dos séculos”. O iraniano também criticou a cultura ocidental, referindo-se a ela como “desprovida de identidade individual ou social”. Se lançou ainda em defesa da família e da maternidade, dizendo que a “família é a instituição mais nobre das sociedades” e que o Ocidente enfraqueceu seriamente a instituição familiar, levando ao seu próprio declínio.
O líder iraniano também falou do meio ambiente. Ele alegou que o capitalismo causou “sérios danos e devastação” ao planeta pelo “excessivo uso de recursos”. O iraniano também culpou as enchentes, secas e poluições provocadas pelo Ocidente. Tendo atacado o Ocidente e o capitalismo, o presidente Ahmadinejad partiu para a questão da felicidade humana. A atual ordem capitalista é incapaz de fazer alguém feliz, diz ele: “Nos dias de hoje, todos estão descontentes e desapontados com a atual ordem internacional”.
Sem aparentar ironia, Ahmadinejad disse: “Eu não acredito que os muçulmanos, cristãos, judeus, hindus, budistas e outros têm qualquer problema ou são hostis entre uma religião e outra. Eles caminham juntos confortavelmente e vivem juntos em uma atmosfera de paz e amizade. Eles são todos devotos à causa da justiça, pureza e amor”. O problema, segundo ele, é encontrado nos “centros autoproclamados de poder que se entregaram ao demônio”. O domínio global deles é fundado, de acordo com o presidente, no materialismo e é inerentemente imoral. A filosofia deles é baseada no “egoísmo, embuste, ódio e animosidade”. Eles também são racistas e devotados à “humilhação” e subjugação “das outras nações”. Parafraseando Lenin, o líder iraniano perguntou: “O que há de se fazer?”. Para trazer uma nova ordem global baseada na paz, bondade e igualdade ante a lei, deve existir uma “gestão global conjunta”. Os numerosos pobres devem unir-se contra “a minoria gananciosa”. A própria ONU deve ser reestruturada para que a discriminação e o monopólio não prevaleçam. Ahmadinejad ainda disse que “o problema da reestruturação da ONU é extremamente vital e é uma necessidade que deve ser enfatizada de novo e de novo...”
A justiça, o amor e a liberdade devem ser proclamados, disse o presidente iraniano, por causa da iminente chegada de um messias muçulmano. O amor e a justiça devem triunfar porque “Alá Todo Poderoso prometeu-nos um homem de bondade, um homem que ama as pessoas e ama a justiça absoluta, um homem que é o ser humano perfeito e tem o nome de Imã Al-Mahdi, um homem que virá na companhia de Jesus Cristo e dos justos”.
Omitiu de seu discurso um pequeno ponto: nomeadamente, aquele no qual Mahdi alcança a bondade global e o amor exterminando os ímpios. Não precisa nem mencionar esse detalhe. Melhor sublinhar os positivos. Assim, o presidente iraniano meramente notou que a “chegada (do Mahdi) significará o fim da opressão, imoralidade, pobreza, discriminação e o começo da justiça, amor e empatia”.
Ahmadinejad finalizou seu discurso com o seguinte refrão: “Vida longa à essa primavera, vida longa à essa primavera e vida longa à essa primavera”.

Estava ele – talvez – referindo-se à Primavera Árabe?

Publicado no Financial Sense.

PLC 122: medo das eleições faz PT adiar escolha do relator



O PT, obviamente, dá preferência para os evangélicos progressistas, quando o assunto é promover o gayzismo.

O novo relator do PLC 122 já estava quase certo como sendo o senador Magno Malta, que logo que Marta Suplicy saiu não perdeu tempo em pedir a relatoria.
Contudo, o PT não quer arriscar a perda de um projeto homossexualista que surgiu de suas próprias entranhas.
Paulo Paim, senador petista e presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, disse que só depois que as eleições passarem ele irá escolher o novo relator do projeto de lei que pune a oposição à homossexualidade. Nem ele nem o PT querem correr risco algum com a reação dos eleitores, cujos sentimentos foram comprovados por um instituto de pesquisa ligado ao PT que apurou que 99 por cento dos brasileiros são “homofóbicos”, isto é, não concordam com as práticas homossexuais.
O senador Paim está propenso a entregar a relatoria do PLC 122 ao líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), que é ligado à ala progressista da Igreja Batista.
Quando o assunto é criminalizar opiniões contrárias ao homossexualismo, Paim sabe exatamente o que está fazendo. Ele é autor do PLS 309/2004, cuja proposta de criminalização das opiniões contrárias ao homossexualismo é muito semelhante ao PLC 122.
Com o PLC 122 nas mãos de um evangélico progressista diretamente ligado ao PT, dificilmente o PT e os supremacistas gays vão ficar desapontados com as decisões e trabalhos de Pinheiro. Além disso, Paim espera que o rótulo de evangélico de seu potencial novo relator acalme os evangélicos que estão de prontidão para fazer oposição ao projeto petista de ameaça cristã.
Os cristãos não têm dificuldade de ver que o PLC 122 ameaça trazer perseguição religiosa a todo o Brasil, mas os evangélicos progressistas tratam essa ameaça como mero delírio. Um conhecido tabloide evangélico progressista declarou sobre o PLC 122: “Faz-se um escarcel (sic) danado para que os crentes pensem que a tal ‘ditadura gay’ vai obrigar às igrejas a aceitarem e celebrarem o casamento entre pessoas do mesmo sexo”. A esquerda em geral e o PT em particular — sem mencionar os supremacistas gays — tratam a mobilização cristã contra o PLC 122 como escarcéu. Por que os evangélicos progressistas tratariam de modo diferente?
Os evangélicos progressistas darão louvores e glórias ao PT pela escolha de Walter Pinheiro.
Entretanto, mesmo que o projeto que castiga críticos do homossexualismo não estivesse sob o controle de petistas e evangélicos progressistas, Paim fez uma revelação importante: ele disse que o novo Código Civil impõe punições à “homofobia” — isto é, quem fizer ou dizer qualquer coisa negativa a um homem que pratica perversão homossexual vai ser tratado, em termos de sentença de cadeia, como se tivesse assassinado uma pessoa inocente ou estuprado uma criança.
Portanto, com ou sem PLC 122, o PT quer garantir que os cristãos não progressistas do Brasil sejam punidos.

Com informações do site gay A Capa.

Brasil terá o 2º pior PIB da América Latina e Caribe



Segundo Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), país só fica à frente do Paraguai, cuja economia vai recuar 2% em 2012

Presidente Dilma Rousseff recebe atletas em Brasília em 13 de agosto
Dilma Rousseff: governo luta para garantir taxa mais alta de crescimento econômico (Ueslei Marcelino/Reuters)
Brasil e Argentina lideram cortes nas estimativas de crescimento em relação aos números projetados em junho. Cepal ainda avalia se protecionismo prejudicou o crescimento brasileiro e o argentino.
O crescimento econômico do Brasil ficará em penúltimo lugar entre os países da América Latina e Caribe, com expansão de 1,6%, perdendo apenas para a contração do Paraguai, na casa dos 2%. A previsão foi divulgada nesta terça-feira pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe das Nações Unidas (Cepal).
Segundo a entidade, que divulgou nesta terça-feira seu Estudo Econômico da América Latina e do Caribe 2012, Brasil e Argentina tiveram os maiores cortes nas estimativas de crescimento em relação aos números projetados em junho pela Cepal. No caso brasileiro, a previsão caiu de 2,7% para 1,6%, em linha com o esperado pelo Banco Central em seu Relatório Trimestral de Inflação publicado na semana passada. Já a Argentina teve uma redução de 3,5% para 2%.
Protecionismo – Não por acaso, a piora na percepção da Cepal atinge os dois países que tiveram maior atuação protecionista nos últimos dois anos. No entanto, ainda é cedo para fazer uma relação direta entre medidas protecionistas e menor crescimento econômico na região, segundo o diretor da comissão no Brasil, Carlos Mussi. "Tem sido sempre um desafio histórico, como facilitar esse processo. Nossa integração é muito direcionada aos bens finais, diferentemente do modelo asiático e europeu, onde há integração das cadeias produtivas. O desafio é como avançar nestas políticas", afirmou.
O menor crescimento de Brasil e Argentina pesou nas estimativas para a expansão econômica da América Latina e o Caribe, dado o peso das duas economias na região. A Cepal revisou para 3,2% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos países latino-americanos e caribenhos em 2012. A previsão anterior era de 3,7%. A comissão atribuiu a desaceleração às dificuldades enfrentadas pelos Estados Unidos e pela Europa, além da freada na economia chinesa.
México – A previsão de crescimento para o México, por outro lado, foi mantida em 4,0%. Para o ano que vem, a Cepal projeta crescimento de 4,0% no Brasil, 3,5% na Argentina e 4,0% no México. Para toda a América Latina e Caribe, a previsão é de 4,0%. A Cepal é uma das cinco comissões econômicas regionais das Nações Unidas (ONU).
(com Agência Estado)

Ayrton Senna é eleito melhor piloto da McLaren



Ayrton Senna, durante GP Brasil de 1991
Ayrton Senna, durante GP Brasil de 1991 - Antonio Milena
O brasileiro Ayrton Senna foi eleito o melhor piloto de todos os tempos da McLaren. A pedido da escuderia inglesa, o jornalista Alan Henry elaborou uma lista com os 50 principais nomes da história da equipe, levando em conta apenas a atuação deles na McLaren. A lista desprezou pilotos em atuação, como Lewis Hamilton, Jenson Button e Fernando Alonso.
Senna divide a primeira colocação da lista com o inglês Bruce McLaren, fundador da equipe, que correu entre 1966 e 1970. O brasileiro permaneceu seis temporadas na McLaren, e conquistou seus três títulos mundiais, em 1988, 1990 e 1991.
Outros dois brasileiros também integram o levantamento dos 50 melhores pilotos da história da equipe. Emerson Fittipaldi, que conquistou o seu segundo Mundial pela McLaren em 1974, é o quinto colocado. Nelson Piquet, que correu três provas pela escuderia inglesa em 1978, é o 40º.
Os 10 primeiros colocados da lista:
1) Ayrton Senna (BRA) e Bruce McLaren (ING)
2) Mika Hakkinen (FIN)
3) Alain Prost (FRA)
4) James Hunt (ING)
5) Emerson Fittipaldi (BRA)6) Niki Lauda (AUS)
7) Keke Rosberg (FIN)
8) David Coulthard (ING)
9) Peter Revson (EUA)
10) John Watson (ING)
(Com agência Gazeta Press)

Romário quer investigação sobre COB e Comitê Rio 2016



Ex-atacante sobe o tom das críticas dirigidas a Carlos Arthur Nuzman, que preside as duas instituições e é candidato único para a eleição do Comitê Olímpico Brasileiro, na sexta-feira

Romário durante coletiva de imprensa, em Brasília
Romário durante coletiva de imprensa, em Brasília (Ueslei Marcelino/Reuters )
O deputado federal Romário (PSB) anunciou nesta terça-feira que vai apresentar uma proposta de fiscalização e controle na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara para investigar o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e o Comitê Rio 2016, órgão brasileiro na organização da Olimpíada do Rio de Janeiro. Os dois órgãos são presididos por Carlos Arthur Nuzman - no COB ele é o presidente desde 1995. Nuzman é candidato único na eleição da entidade que será realizada nesta sexta-feira.
O ex-atacante da seleção brasileira de futebol tem aumentado o tom das críticas contra o presidente do COB desde o caso do furto de dados do comitê organizador da Olimpíada de Londres por funcionários do Comitê Rio 2016. Romário pretendia realizar um pronunciamento em plenário, mas como a Câmara está em recesso branco e não houve quórum, o deputado publicou em seu site o discurso que pretendia fazer.
A proposta de fiscalização e controle, instrumento defendido pelo deputado, é um pedido oficial da Câmara para que o Tribunal de Contas da União (TCU) faça auditoria em algum órgão determinado. A proposta de Romário é para fiscalizar a venda de ingressos para os Jogos, auditar a aplicação de recursos no COB e as contas da própria entidade.
Romário pedirá ainda, por meio de requerimento, que o governo federal apure o roubo de dados por integrantes do Comitê Rio 2016, além das suspeitas de que fato semelhante aconteceu durante a preparação do Panamericano de 2007. O deputado afirmou ainda ser sua preocupação a forma como serão vendidos os ingressos para o evento no Rio de Janeiro.
O deputado concluiu seu pronunciamento pedindo que a presidente Dilma Rousseff e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, cumpram a intenção de só repassar recursos públicos a entidades esportivas que limitem os mandatos de seus presidentes.
(Com Agência Estado)
LEIA TAMBÉM:

O furto de dados em Londres: o que ainda falta responder

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Por que as demissões não tinham sido divulgadas?

O comitê da Rio-2016 é uma entidade privada, mas o assunto é de interesse geral e a realização dos Jogos envolve o uso de verbas públicas. Se os funcionários cometeram apenas um erro de procedimento e os dados transferidos não eram de extremo sigilo, por que não anunciar publicamente essas punições no momento do ocorrido (em meados de setembro)?

Roubo de produtos Apple dispara em NY e afeta números do crime



DA FRANCE PRESSE, EM NOVA YORK
O roubo nas ruas ou no metrô de Nova York de produtos da Apple, como iPhone ou iPad, disparou 40% no decorrer do ano na comparação com o mesmo período de 2011, o que afetou os dados sobre o crime na cidade, anunciou o chefe de polícia da cidade.
"Nos primeiros nove meses do ano aconteceram 11,4 mil incidentes nos quais foram roubados produtos Apple, um aumento de mais de 3.280 ou 40% na comparação com o mesmo período do ano passado", afirmou o comissário de polícia de Nova York, Raymond Kelly.
"Uma análise recente que fizemos mostrou que o aumento nos roubos de produtos Apple este ano superou o aumento do crime em seu conjunto na cidade de Nova York", disse Kelly em um discurso na Associação Internacional de Chefes de Polícia em San Diego (Califórnia).
Como o crescimento total do crime em Nova York foi de 4%, Kelly afirmou que "sem os roubos de produtos da Apple, estaríamos vendo um declínio dos números".
Kelly apresentou números impactantes sobre a atração provocada pelos produtos da marca entre os criminosos.
"Como o impacto na economia, a atração dos produtos da Apple tem afetado a taxa de criminalidade na cidade Nova York. E de maneira surpreendente. Em 2002, registramos um total de 86 roubos de produtos Apple em toda a cidade. No ano passado o número foi de 13,2 mil", afirmou.
Segundo o chefe da polícia de NY, os roubos de telefones e tablets da Apple envolvem adolescentes e acontecem, geralmente, no metrô, no caminho de casa para a escola.
Para enfrentar o problema, a polícia aplicou no lançamento do iPhone 5 uma operação com oficiais visitando 21 lojas da Apple para registrar os números de series dos produtos vendidos e contatos dos compradores para utilizar no caso de roubos.
A estratégia policial inclui mais oficiais no metrô e a recomendação aos donos de produtos Apple para que ativem aplicativos que permitem encontrar o telefone.

Jovens israelenses usam tatuagens para lembrar vítimas do Holocausto



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JODI RUDOREN
DO "NEW YORK TIMES", EM JERUSALÉM
Quando Eli Sagir mostrou a seu avô, Yosef Diamant, a nova tatuagem que tinha feito em seu antebraço esquerdo, ele abaixou a cabeça para beijá-la.
Diamant teve a mesma marca, o número 157622, tatuado permanentemente em seu próprio braço pelos nazistas em Auschwitz. Quase 70 anos mais tarde, Eli Sagir fez a tatuagem dela num estúdio de tatuagem no centro da cidade, depois de fazer uma viagem à Polônia com sua classe no colégio. Na semana seguinte, sua mãe e seu irmão também tiveram os seis algarismos inscritos nos braços deles. Este mês seu tio seguiu o exemplo deles.
"Minha geração não sabe nada sobre o Holocausto", disse Sagir, 21 anos, que tem a tatuagem há quatro. "Você conversa com as pessoas e elas pensam que é como o êxodo dos hebreus do Egito --história antiga. Decidi fazer a tatuagem para lembrar à minha geração: quero contar às pessoas a história do meu avô e a história do Holocausto."
Os descendentes de Diamant fazem parte de um punhado de filhos e netos de sobreviventes de Auschwitz, aqui em Jerusalém, que optaram pela medida extrema de inscrever em seus próprios corpos as marcas dos dias mais sombrios da história. Com o número de sobreviventes em Israel tendo caído de 400 mil, dez anos atrás, para cerca de 200 mil hoje, instituições e indivíduos estudam as melhores maneiras de recordar o Holocausto, tão essencial para a fundação e a identidade de Israel, depois que seus sobreviventes tiverem desaparecido.
Viagens do tipo "ritos de passagem" para os campos de extermínio, como a que Sagir fez, hoje são de praxe para os alunos do ensino médio. O memorial do Holocausto em Jerusalém, Yad Vashem, e outros museus estão tentando tornar suas exposições mais acessíveis, recorrendo a relatos individuais e efeitos especiais.
Debate-se seriamente se essa abordagem trivializa símbolos por muito tempo vistos como sagrados e se a mensagem principal deve ser sobre a importância de um Estado judaico autônomo, para prevenir um genocídio futuro, ou se deve ser uma mensagem mais universal sobre racismo e tolerância.
"Estamos passando de memória vivida para memória histórica", observou Michael Berenbaum, professor da Universidade Judaica Americana em Los Angeles e um dos principais estudiosos da rememoração do Holocausto. "Estamos naquela transição. Esta (as tatuagens) é uma forma declarada e direta de fazer a transição."
Ele próprio filho de sobreviventes, Berenbaum disse que "reproduzir um ato que destruiu o nome deles e os converteu em número não seria minha primeira escolha, nem a segunda ou a terceira", mas, ele acrescentou, "com certeza é mais interessante que algumas das outras tatuagens que alguns jovens fazem em sua pele".
É sem dúvida alguma uma decisão intensamente pessoal que frequentemente provoca interações agressivas com desconhecidos ofendidos com a apropriação daquele que talvez seja o símbolo mais profundo do modo como o Holocausto desumanizou suas vítimas. O fato de a tatuagem ser proibida pela lei judaica --alguns sobreviventes temeram durante muito tempo, sem razão, que os números tatuados os impediriam de ser sepultados em cemitérios judaicos-- torna o fenômeno mais perturbador para alguns, o que pode ser parte da ideia toda.
"É chocante quando você vê o número na mão de uma moça", disse Sagir. "É muito chocante. Você se sente obrigado a perguntar 'por que?'."
De acordo com a "Enciclopédia do Holocausto" do Museu Memorial do Holocausto americano, a tatuagem dos números dos prisioneiros foi introduzida em Auschwitz no outono de 1941 e no adjacente campo de Birkenau no mês de março seguinte. Aqueles foram os únicos campos a adotar a prática, e não se sabe ao certo quantas pessoas foram marcadas, algumas no peito, mas a maioria no antebraço esquerdo.
Apenas os prisioneiros considerados aptos para trabalhar eram tatuados, de modo que, apesar da degradação, em alguns casos os números eram motivo de orgulho, principalmente os números menores, que indicavam que a pessoa teria sobrevivido a vários invernos brutais no campo. "Todo o mundo trata com respeito os números de 30.000 a 80.000" escreveu Primo Levi em sua autobiografia seminal, "Survival in Auschwitz", descrevendo as tatuagens como parte da "demolição de um homem".
Depois da guerra, alguns sobreviventes de Auschwitz se apressaram a remover as tatuagens com cirurgias ou passaram a escondê-las sob roupas de manga longa. Com o passar das décadas, outros usaram seus números na loteria ou como senhas.
A médica Dana Doron, 31 anos e filha de uma sobrevivente, entrevistou cerca de 50 sobreviventes tatuados para um novo documentário israelense, "Numbered" (Numerado), que ela co-dirigiu com o fotojornalista Uriel Sinai. O filme terá sua première nos Estados Unidos no próximo mês, no Festival Internacional de Cinema de Chicago.
Doron contou que, quando perguntou a sobreviventes se seus amados beijavam o número, como poderiam beijar uma cicatriz, "alguns me olharam como se quisessem dizer 'você enlouqueceu?', e outros responderam 'é claro'".
"Para mim, é uma cicatriz", disse Doron, que se interessou pela numeração quando extraiu sangue de um braço tatuado numa sala de emergência. ''O fato de jovens estarem optando por ser tatuados é, para mim, um sinal de que ainda carregamos a cicatriz do Holocausto."
"Numbered" acompanha Hanna Rabinovitz, uma mulher de meia-idade que tatua o número de seu pai em seu tornozelo após a morte dele. O filme também conta a história de um programador de computadores de 28 anos, Ayal Gelles, e seu avô, Avraham Nachshon, de 86, ambos com o número A-15520 tatuado no braço.
"É como uma herança ou algo assim", Gelles explicou. "Acho que é provocante. Todo o mundo fica chocado, num primeiro momento."
Gelles disse que teve um lampejo quando viu vacas sendo marcadas a ferro numa fazenda na Argentina. A experiência o levou a fazer a tatuagem e a adotar a dieta vegana. Ele não contou a seu avô sobre seu plano. "Se eu tivesse sabido, teria dito a você para não fazer", o avô disse ao neto numa noite recente.
"Sonho com isso todas as noites", Nachshon falou ao contar sua história do Holocausto, que inclui vários meses passados em Birkenau, onde sua mãe e irmã foram mortas na câmara de gás. "Muitas vezes, no meu sonho, estamos fugindo dos alemães. Às vezes passo a noite inteira correndo. Talvez desta vez eles não me peguem."
Nachshon nada, pratica ioga ou corre na esteira ergométrica todas as manhãs, retornando para casa às 14h para alimentar os gatos do bairro e passar horas diante da televisão. Duas vezes por semana Gelles vem jantar com seu avô no apartamento deste em Tel Aviv e eles assistem à TV juntos.
"Toda vez que vejo o número, é um lembrete para eu telefonar a meu avô", Gelles revelou. "Tenho dificuldade em sentir uma ligação com pessoas que não conheço, lugares para os quais não fui e essa coisa chamada o Holocausto. Sinto uma ligação maior com meu avô."
O israelense que tatuou o número de Livia Rebak, 4559, em seu filho, Oded Rebak, e seu neto, Daniel Philosof, o fez sem cobrar.
Era uma sexta-feira. Rebak, artista plástico de 56 anos que trabalha com vidro, vive em Ottawa, Canadá, e estava visitando familiares quando foi tatuado, dois anos atrás, levou flores para sua mãe no shabat. "Num primeiro momento, ela ficou realmente perturbada com isso", ele contou. "Quando expliquei as razões pelas quais fiz, choramos juntos. Eu disse 'você está sempre comigo'."
Os dez descendentes tatuados que foram entrevistados para este artigo apresentaram os mesmos motivos para o que fizeram: queriam ficar íntima e eternamente vinculados com seu parente sobrevivente do Holocausto. E queriam concretizar o mantra "nunca esquecer" com algo que provocasse perguntas e conversas constantemente.
Sagir, que é caixa num minimercado no centro da turística Jerusalém, disse que lhe perguntam sobre o número dez vezes por dia. Um homem disse que ela é "patética", dizendo que ela estava tentando ser seu avô e assumir o sofrimento dele. Sagir se recorda de uma policial que lhe disse: "Deus criou o esquecimento para que possamos esquecer". "Eu disse a ela: 'Por causa de pessoas como você, que querem esquecer o que aconteceu, vamos sofrer a mesma coisa de novo'."
Numa sexta-feira recente Sagir acompanhou seu tio, Doron Diamant --40 anos, carpinteiro e pai de quatro filhos-- a um estúdio de tatuagem. Ele foi o quinto descendente de Yosef Diamant a ser tatuado. Yosef morreu no ano passado, aos 84 anos.
O trabalho foi feito em 15 minutos e custou US$40. Quando o tatuador, um imigrante russo, falou, brincando, que não era "patriótico o suficiente" para dar um desconto, Diamant ficou furioso em silêncio. "Esta é a razão pela qual ele está aqui, é a razão desta tatuagem, é o que este número representa", disse Diamant. "Conseguimos este país por causa dos sobreviventes."
Tradução de Clara Allain

Grupos islâmicos fuzilam acusado de crime em praça pública no Mali



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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Um jovem tuaregue acusado de assassinato, condenado conforme a aplicação estrita da "sharia" (lei islâmica) e fuzilado em praça pública nesta terça-feira na cidade de Tombuctu (Mali), relataram testemunhas. Grupos islâmicos extremistas armados, alguns ligados à rede terrorista Al Qaeda, controlam dois terços do território do Mali, principalmente o norte, desde abril passado.
Esses grupos tomaram conta de uma rebelião iniciada por separatistas tuaregues.
Um morador de Tombuctu, identificado como Yattara, garantiu à agência de notícias Efe que, nas últimas semanas, a situação piorou e a atitude "dos radicais se tornou mais cruel".
Em 26 de setembro passado, o governo de Mali pediu ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução para autorizar a intervenção de uma força militar internacional no norte do país. O pedido estava contido na carta enviada pelo presidente do Mali, Dioncounda Traoré, ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, porém só foi oficializado numa reunião de alto nível na Assembleia-Geral das Nações Unidas.
Omar Hamaha, membro do Ansar al Din e próximo do movimento terrorista Monoteísta e pela Jihad na África Ocidental, disse à Efe que os "mujahedins [guerreiros santos] estão preparados para tudo".
O governo do Mali e a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) concordaram com um plano que inclui o envio de uma força militar desta organização regional antes da aprovação do Conselho de Segurança da ONU.