quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Facebook corre risco de sair do ar no Brasil. Cão seria o motivo da briga




Caio do Valle e Fábio Brito – O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO – O site do Facebook poderá sair do ar no Brasil nesta sexta-feira, 4, caso a empresa não cumpra uma decisão judicial publicada na quarta-feira, 2, pela Justiça paulista. A medida, anunciada pelo juiz Régis Rodrigues Bonvicino, da 1.ª Vara Civel de São Paulo, versa sobre um caso envolvendo a apresentadora de TV e modelo Luize Altenhofen.
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No início do ano, ela fez supostos comentários ofensivos em redes sociais da internet contra um vizinho que acusa de ter agredido seu cachorro. Um dos cachorros da artista teria invadido o jardim do cirurgião dentista Eudes Gondim Júnior, no Butantã, bairro na zona oeste da capital paulista.
Segundo o advogado Paulo Roberto Esteves, que defende Gondim, o cão teria ameaçado os filhos pequenos de seu cliente, que se defendeu com uma barra metálica, batendo no animal, que não morreu. Altenhofen teria se vingado de Gondim, de acordo com Esteves, batendo com seu carro no portão do dentista. Além disso, ela reclamou no Facebook.
“Quando ela repercutiu a notícia no Facebook isso se espalhou rapidamente, e várias outras pessoas, inclusive artistas, foram dando opiniões agressivas. Na ação indenizatória por danos morais, pedimos que o juiz concedesse a tutela para retirar essas expressões ofensivas da internet. Havia até uma foto dele com uma faixa escrito assassino. O endereço dele também foi divulgado na rede social”, diz o advogado.
Ao longo do processo judicial, o Facebook solicitou que fossem indicados os endereços das páginas que a defesa de Gondim queria que fossem removidas do sistema. Segundo o despacho do juiz, Gondim juntou os endereços eletrônicos e os encaminhou para o Facebook. Contudo, no dia 31 de julho, a empresa “afirmou que não é responsável pelo gerenciamento do conteúdo e da infraestrutura do site”.
A resposta passada pela rede social ao Judiciário foi a seguinte: “É importante esclarecer que o Facebook Brasil não é o responsável pelo gerenciamento do conteúdo e da infraestrutura do site Facebook. Essa incumbência compete a duas outras empresas distintas e autônomas, denominadas Facebook Inc. e Facebook Ireland LTD., localizadas nos Estados Unidos da América e Irlanda, respectivamente”.
O juiz Bonvicino considerou essa afirmação “uma desconsideração afrontosa à soberania brasileira”, “agravada pela notória espionagem estatal, oficial, do governo americano”. Ainda de acordo com o magistrado, “cabe dizer que a ordem de um Juiz de Direito, exarada em um devido processo legal, integra a soberania do país, porque cabe ao Poder Judiciário também zelar por ela”.
Bonvicino escreveu ainda que “se o Facebook opera no Brasil, ele está sujeito às leis brasileiras”. O magistrado pondera ainda que a postura da empresa “torna-se ainda mais sombria” se confrontada com o próprio pedido do Facebook para que o requerente informasse, por meio do processo judicial, quais páginas deveriam ser removidas.
“Se o Facebook solicitou os URLs, solicitou para poder remover as páginas, confessando em consequência seu poder de administração de sua própria rede social”, afirmou Bonvicino. Para ele, ao descumprir a remoção das páginas depois desse pedido, o Facebook praticou “um ato de desobediência legal frontal”.
Soberania. Nesse sentido, o juiz concedeu 48 horas para o Facebook cumprir a ordem judicial, “sob pena de ser retirado do ar, no país todo, porque, ao desobedecer uma ordem judicial, afronta o sistema legal de todo um país”. O magistrado ainda escreveu que “o Facebook não é um país soberano superior ao Brasil”.
A decisão, proferida em despacho publicado na quarta-feira, 2, revela que se o Facebook não cumprir a ordem no prazo, as operadoras Embratel, Telefónica, Vivo, Globalcross, Level 7 e Brasil Telecom deverão bloquear “todos os IPs do domínio Facebook.com nos cabos Americas I, Americas II, Atlantis II, Emergia – SAM I, Globalcrossing, Global Net e Unisur”, “colocando uma página com este despacho” no lugar do serviço da rede social “visando a esclarecer seus usuários”.
Outro lado. Em nota, o Facebook Brasil informou que “tem por política cumprir ordens judiciais para bloqueio de conteúdo desde que tenha a especificação do conteúdo considerado ilegal”. Não informou, contudo, se retirará as páginas consideradas ofensivas por Gondim do ar. A empresa também informou que, até o momento, não recebeu nenhum endereço eletrônico relativo ao conteúdo em questão.
O advogado de Altenhofen, Luiz Otavio Boaventura Pacífico, afirmou ao Estado que contestou a ação movida por Gondim. “Eu pedi dano material porque esse vizinho deu uma paulada na cabeça do cachorro, um pitbull que ficou cego. Entrei com um pedido de dano material por tudo o que ela gastou com o cão e por dano moral, porque ela ficou muito abalada. Aí, muita gente se movimentou no Facebook. Muitas pessoas, as que defendem os animais, começaram a criticar esse sujeito”, diz. De acordo com ele, agora a “briga” é entre o Facebook e a Justiça.
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Avião fabricado pela Embraer cai após decolagem na Nigéria e deixa 16 mortos




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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
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Um avião Embraer 120 com 27 pessoas a bordo caiu nesta quinta-feira depois de decolar do aeroporto de Lagos, na Nigéria, deixando pelo menos 16 mortos. A aeronave, da empresa Nigeria Associated Airlines, caiu em uma área descampada ao lado do terminal doméstico.
Testemunhas dizem que o aparelho, com 23 anos de uso, fazia muito barulho ao deixar o aeroporto e tentou manobrar para evitar a queda em um bairro residencial. Outras cinco pessoas ficaram feridas. A frente do Embraer 120 ficou destruída, indicando que o avião teria caído com o nariz para baixo.
Segundo a imprensa local, o avião levava o corpo de Olusegun Agagu, ex-governador do Estado de Ondo, no sudeste nigeriano, e seguia para a cidade de Akure, a 225 km de Lagos. Além dos restos mortais, a aeronave levava seus familiares, que participariam de seu funeral.
A ministra da Aviação nigeriana, Stella Oduah, informou em um comunicado que as caixas-pretas já foram encontradas e uma investigação foi aberta. Segundo a agência de notícias Reuters, a Embraer ofereceu apoio para a investigação.
Acidentes aéreos são relativamente comuns na Nigéria, que apesar de ser a segunda maior economia da África, possui um histórico ruim nas condições de segurança. Em junho de 2012, 163 pessoas morreram quando um avião da Dana Air caiu sobre um prédio no pior acidente aéreo no país em 20 anos.

Operadora registra novo vazamento de água radioativa em Fukushima





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DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
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O operador da usina nuclear japonesa de Fukushima disse nesta quinta-feira que outro tanque com água altamente contaminada transbordou, provavelmente jogando o líquido no oceano Pacífico, no segundo episódio do tipo em menos de dois meses.
Segundo o porta-voz da Tokyo Electric Power (Tepco), Masayuki Ono, o vazamento foi descoberto em um tanque de contenção distante de onde 300 toneladas de água tóxica escaparam em agosto. Cerca de 430 litros de água vazaram em um período de 12 horas após o erro de um funcionário.
O representante afirma que o operário calculou mal a capacidade do tanque, que está inclinado por uma irregularidade no piso. Segundo ele, a água caiu em uma vala que deságua no oceano Pacífico, a 300 metros do reservatório.
A empresa afirmou que a água que vazou continha 200 mil bequerels por litro de isótopos radioativos que emitem radiações beta, como o estrôncio-90. Para este elemento, o limite legal no Japão é de 30 bequerels por litro.
O novo vazamento é apontado com mais uma consequência da falta de capacidade da operadora de estocar a água usada para resfriar os reatores, desprotegidos após o acidente nuclear de 2011, provocado pelo tsunami que atingiu o Japão e a região da usina.
Segundo Ono, a empresa está enchendo os tanques até a borda e bombeia a água da chuva acumulada nas áreas dos tanques de contenção. Na última terça (1º), a empresa anunciou que cerca de quatro toneladas do líquido vazou no solo do terreno da usina em uma operação de transferência.
GOVERNO
Nesta quinta, o principal porta-voz do governo japonês, Yoshihide Suga, disse que os últimos vazamentos são um exemplo de que os esforços da Tepco são insuficientes. O governo tomará medidas para tratar da questão da água, ele disse, acrescentando achar que a situação estava sob controle.
A Tepco vem contando com tanques construídos às pressas para conter o excesso de água de resfriamento lançada sobre os reatores danificados em Fukushima Daiichi, onde três unidades sofreram sobrecarga nuclear e explosões de hidrogênio depois de um terremoto e de um tsunami em março de 2011.
Em meio a um crescente alarme internacional, o governo do Japão disse no mês passado que iria financiar os esforços para melhorar o gerenciamento da água na usina.

Rússia acusa formalmente todos tripulantes de navio do Greenpeace




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DA REUTERS, EM MOSCOU
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A Justiça da Rússia terminou nesta quinta-feira a acusação formal por pirataria das 30 pessoas que foram detidas em um barco do grupo ambientalista Greenpeace, que interceptou uma plataforma de uma petroleira russa no Ártico, em meados de agosto.
O processo se iniciou na quarta (2), com o indiciamento de cinco pessoas, dentre elas a brasileira Ana Paula Alminhana Maciel, 31. Ao todo, foram acusados cidadãos de 17 países, dentre eles ativistas, um cinegrafista britânico e um fotógrafo russo.
Eles ficarão dois meses em prisão preventiva e, caso condenados, poderão pegar até 15 anos de prisão. Os 30 ativistas, que durante o protesto estavam a bordo do navio do Greenpeace Arctic Sunrise, estão detidos sob custódia na cidade de Murmansk, no norte da Rússia.
No protesto, realizado no mês passado, um navio do Greenpeace se aproximou de uma plataforma de petróleo pertencente à estatal russa Gazprom e dois ativistas tentaram escalar a unidade de perfuração. O Greenpeace afirma que o protesto foi pacífico e rechaçou as acusações de pirataria como absurdas e infundadas.
"Nossos ativistas foram acusados por um crime que não aconteceu, foram acusados por uma ofensa imaginária", disse o diretor-executivo internacional do Greenpeace, Kumi Naidoo.
A comissão de investigação russa, que reporta ao presidente Vladimir Putin, disse que todos os acusados negaram a culpa e se recusaram a prestar depoimentos mais substanciais. A comissão disse ainda que as investigações continuam.
A embaixada do Brasil em Moscou foi orientada pelo chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, a emitir uma "carta de garantia" para que Ana Paula possa aguardar o julgamento em liberdade, informou o Itamaraty na terça-feira por meio de nota.
A plataforma Prirazlomnaya no mar de Pechora é a primeira plataforma de perfuração offshore da Rússia no Ártico, representando um importante papel nos esforços do país para extrair os recursos na região. A Gazprom disse estar a caminho de começar a produção este ano.

Após acidente que matou 13 na Nigéria, Embraer se dispõe a ajudar em investigações





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DE SÃO PAULO
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A Embraer lamentou ontem o acidente ocorrido em Lagos, Nigéria, com um avião bimotor fabricado pela companhia que matou ao menos 13 pessoas. "A empresa já se colocou à disposição da autoridade investigadora nigeriana para apoiá-la na investigação", disse, em nota.
O avião EMB 120 era da Associated Airlines, e ia de Lagos para Akure, cidade cerca de 225 km a sudoeste, com sete tripulantes e 13 passageiros.
"O avião não pôde alçar voo adequadamente, então caiu", disse o porta-voz do Ministério da Aviação, Joe Obi. "Algumas pessoas foram levadas às pressas para o hospital. Alguns cadáveres foram recuperados, mas há sobreviventes."
Há divergência sobre os números de mortos e sobreviventes dependendo da fonte do governo nigeriano consultada. Obi disse que 14 pessoas morreram, mas a vice governadora de Lagos, Victoria Adejoke Orelope-Adefulire, afirmou que 13 morreram.
HISTÓRICO
O EMB 120 Brasília é um bimotor turboélice com capacidade para 30 passageiros. Um dos modelos de maior sucesso comercial da Embraer, foi produzido comercialmente de 1985 a 2001.
Segundo a Flight Safety Foundation, organização sem fins lucrativos que mantém histórico de acidentes aéreos, há 20 casos de acidentes que provocaram perda total com EMB 120. O pior aconteceu em 2004, em Manaus, quando morreram 33 pessoas.

Congresso dos EUA é fechado após tiros na região do prédio





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DE SÃO PAULO
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Atualizado às 16h15.
O Congresso dos Estados Unidos foi fechado nesta quinta-feira por 40 minutos após a informação de que foram disparados tiros do lado de fora da sede do Legislativo americano. De acordo com a polícia, pelo menos um agente foi atingido pelos disparos.
Segundo a Polícia Legislativa, que controla a segurança no prédio, os tiros foram ouvidos próximo ao prédio Hart, um dos anexos do Congresso, por volta das 14h30 locais (15h30 em Brasília). Em seguida, funcionários, jornalistas e turistas foram retirados do complexo.

Tiros no Capitólio

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Jewel Samad/AFP
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Pessoas deitam no chão após tiros na região do Congresso dos EUA
Os parlamentares foram mantidos dentro dos prédios anexo e do Congresso.O deputado republicano Gerry Connolly afirmou ter ouvido duas rajadas vindo de um anexo. "Foram duas rajadas rápidas e muito altas. Foi quando eu vi as pessoas vindo e percebi que não eram fogos de artifício".
Alguns senadores afirmaram que ouviram entre quatro e seis disparos. Ainda não há informações sobre quem fez os disparos, assim como se há mais feridos na ação. A polícia busca o responsável pela ação, mas a área do Congresso foi reaberta por volta das 15h10 (16h10 em Brasília).
Os disparos são registrados duas semanas após outro ataque a tiros dentro do Washington Navy Yard, área de Washington que concentra diversas instalações da Marinha. Pelo menos 12 pessoas morreram quando um prestador de serviços abriu fogo em um dos prédios.
Os tiros interromperam as discussões para dar fim ao impasse no Congresso americano que provocou a paralisação da administração federal americana a partir da 0h da última terça (1º) em Washington (1h em Brasília).
O projeto do Orçamento, que começaria a valer há dois dias, não foi votado pela Câmara devido à resistência dos republicanos em aprovar a lei de reforma da saúde de Obama, conhecida como Obamacare.
Editoria de Arte/Folhapress

USP pede reintegração de posse do prédio da reitoria






Alunos ocupam o imóvel desde terça-feira em protesto por eleições diretas para a cúpula da instituição
03 de outubro de 2013 | 10h 40
ictor Vieira - O Estado de S. Paulo


A Universidade de São Paulo (USP) solicitou à Justiça a reintegração de posse do prédio da reitoria, ocupado por alunos desde a terça-feira, 1º, em protesto por eleições diretas para a cúpula da instituição. O pedido deve ser analisado pela 12.ª Vara da Fazenda Pública da Capital ainda nesta quinta-feira, 3.

Veja também:
Manifestantes ocupam reitoria em protesto na USP
Diretoria da USP Leste continua ocupada por alunos
USP vai debater eleição direta para reitor
Veja fotos da ocupação da reitoria


JF Diorio/Estadão
Em 2011, reintegração de posse da reitoria da USP terminou em 73 prisões

Para deixar o edifício no câmpus Butantã, na zona oeste de São Paulo, o grupo de estudantes reivindica a anulação das decisões tomadas na terça-feira pelo Conselho Universitário (CO), instância máxima da USP, que aprovou mudanças tímidas no sistema de escolha de reitor e vice-reitor, como a redução do número de turnos e a realização de consulta informativa à comunidade acadêmica antes do processo eleitoral.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) também pede nova reunião do CO, adiamento das eleições e plebiscito sobre as propostas de mudança no sistema de escolha. O mandato do atual reitor, João Grandino Rodas, vai até 25 de janeiro de 2014.

O DCE convocou para 18h desta quinta-feira, 3, uma assembleia geral para decidir os rumos da ocupação e da greve.

Prisões. Em novembro de 2011, a ocupação da reitoria da USP terminou em 73 prisões. Após oito dias dentro do prédio, a Tropa de Choque da Polícia Militar desocupou o imóvel.

O protesto dos estudantes era contrário à presença de PMs na Cidade Universitária, que iniciou patrulhamento no câmpus após convênio com a reitoria. A medida de segurança foi proposta após a morte do aluno Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, durante tentativa de assalto no estacionamento da Faculdade de Economia e Administração em maio do mesmo ano.

Em maio de 2013, a Justiça não aceitou a denúncia do Ministério Público Estadual de formação de quadrilha e mais quatro crimes contra os 73 manifestantes. No processo administrativo movido pela universidade, o grupo já havia sido absolvido.


No dia em que a Petrobrás completa 60 anos, sindicalistas fazem paralisação e prometem greve na véspera do leilão do Campo de Libra

03 de outubro de 2013 | 11h 57

Wellington Bahnemann - Agência Estado
RIO - Em meio às comemorações dos 60 anos da Petrobrás, os trabalhadores da estatal paralisaram suas atividades nesta quinta-feira, 3, por 24 horas. O objetivo é protestar contra a realização dos leilões de petróleo e gás, especialmente o do Campo de Libra; contra o projeto de lei 4330/04, que regulamenta a terceirização dos contratos de trabalho, e o impasse nas negociações sobre o acordo coletivo 2013/2014. "Essa é uma greve de advertência", afirmou o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Moraes.
O objetivo da paralisação não é afetar a atividade operacional da Petrobrás. Nesse sentido, Moraes explicou que os trabalhadores do turno da noite não foram rendidos pela manhã nem serão substituídos no período da tarde. "A produção não foi paralisada. Mas, se houver problema em algum equipamento, não faremos a manutenção", explicou o sindicalista.
Segundo as informações da FUP, trabalhadores das áreas de exploração e produção, refino e logística no Amazonas, Rio Grande Norte, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro interromperam as suas atividades. Na Bacia de Campos, no Norte fluminense, funcionários de 35 plataformas estão parados neste momento, sem executar ou acompanhar as permissões de trabalho.
Na próxima semana, o conselho deliberativo da FUP irá se reunir para discutir se uma nova uma paralisação será realizada dia 17, quatro dias antes do leilão do campo de Libra, marcado para 21. Nessa reunião, a entidade irá avaliar os avanços nas negociações sobre o acordo coletivo 2013/2014, cuja data-base da categoria é 1º de setembro. Na próxima semana, a Petrobrás ficou de retomar as discussões com os sindicalistas.
Embora não esteja acertado, já que depende de decisão do conselho deliberativo, Moraes reconheceu que uma nova greve no dia 17 é uma "hipótese muito concreta". Além da greve, as lideranças do FUP estão acampadas em frente ao Congresso Nacional, promovendo um debate sobre as reivindicações da categoria.




Acidente com ocorreu instantes após a decolagem em terminal de Lagos
03 de outubro de 2013 | 8h 53

O Estado de S. Paulo




Equipes de resgate trabalham no local do acidente. Foto: Sunday Alamba/AP

LAGOS - Pelo menos 15 pessoas morreram nesta quinta-feira,3, na queda de um avião na Nigéria. O acidente com uma aeronave fabricada pela Embraer ocorreu instantes após a decolagem no Aeroporto Internacional Murtala Muhammed, em Lagos, confirmou a Agência Nacional de Gestão de Emergências da Nigéria.

Os cinco sobreviventes foram levados para um hospital em estado grave. As operações de resgate continuam no lugar do acidente, cujas causas ainda se desconhecem.

O aparelho, da companhia Associated Airlines, levava vinte pessoas a bordo e caiu perto de um depósito de combustível para aviões próximo ao aeroporto. Ele tinha como destino a cidade de Akure, capital do estado de Ondo, no sudoeste da Nigéria.

A Nigéria tem um histórico ruim em segurança aérea. Em 3 de junho de 2012, um avião da companhia nigeriana Dana Airlines caiu em um populoso bairro de Lagos, causando a morte de 153 pessoas.

O acidente do ano passado foi o segundo que um aparelho nigeriano sofria em menos de 24 horas, antes um avião de carga saiu da pista do aeroporto de Acra e se chocou com um ônibus, deixando 10 mortos. / EFE

Omissão no currículo derruba diretor da ANS

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'Estado' revelou em 3 de agosto que Elano Figueiredo não informou trabalho formal para operadora de saúde
03 de outubro de 2013 | 9h 27

Andreza Matais e Fábio Fabrini - O Estado de S. Paulo


BRASÍLIA - O diretor da ANS (Agência Nacional de Saúde), Elano Figueiredo, pediu exoneração do cargo nesta quinta-feira, 3, após a Comissão de Ética Pública da Presidência da República recomendar sua destituição. O processo foi aberto com base em reportagem do Estado que revelou no dia 3 de agosto, um dia depois de ele tomar posse, que ele omitiu do currículo público ter trabalhado para a operadora de saúde Hapvida.

Veja também:
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Crise faz governo trocar cargos na ANS
Diretor da ANS será ouvido de novo por Comissão de Ética
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Pedro França/Agência Senado/Divulgação
Advogado considera que a decisão da comissão de ética foi "equivocada"

O currículo foi encaminhado pela presidência da República ao Senado no processo de sabatina e é uma das referências dos senadores para avaliação do nome. A revelação do Estado provocou uma série de manifestações de órgãos de defesa do consumidor que pediram a saída de Elano. É a primeira vez que um diretor da ANS deixa o cargo sob questionamentos éticos.

O Estado também revelou que Elano assinou dezenas de ações em defesa da Hapvida, quando trabalhou para a empresa com carteira assinada, contra a ANS. Ele havia justificado que não incluiu o trabalho para a operadora porque apenas advogou para a empresa, mas o Estado revelou que ele foi diretor, com carteira assinada.



Em nota divulgada nesta quinta, Elano afirma que a decisão da comissão de ética foi "equivocada" e que não apontou conflito de interesse, mesmo assim pediu sua destituição. A comissão ainda não divulgou oficialmente sua determinação. O pedido de análise do caso pela comissão foi determinado pela presidente Dilma Rousseff logo após a revelação do fato pelo Estado. Leia a nota do diretor:

"ELANO RODRIGUES DE FIGUEIREDO, brasileiro, casado, vem muito respeitosamente expor e requerer o seguinte:

1. Fui nomeado, por Vossa Excelência, Diretor da Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS, cargo no qual tomei posse em 02/08/2013.

2. Na data de hoje, a Comissão de Ética dessa Digna Presidência da República entendeu, equivocadamente, que deveria recomendar a minha destituição do cargo em alusão, ainda que reconhecendo não haver conflito de interesses na minha situação.

3. Com isto, mesmo convicto de que não pratiquei nenhuma irregularidade, seja ética, moral ou legal, penso que o referido pronunciamento torna insustentável a continuidade do cumprimento do meu mandato.

4. Sirvo-me da presente, portanto, para agradecer a confiança depositada mas, diante do fato, renunciar ao mandato que me foi conferido por Vossa Excelência, pedindo que determine as providências legais cabíveis.

Rio de Janeiro, 02 de outubro de 2013.

Elano Rodrigues de Figueiredo"

Naufrágio mata ao menos 94 imigrantes que tentavam chegar à Itália


Quenianos e eritreus estão entre as vítimas que iam da Tunísia à ilha de Lampedusa

03 de outubro de 2013 | 7h 57

O Estado de S. Paulo




Veja também:
Imagens mostram resgate de sobreviventes do naufrágio


Sobreviventes do naufrágio são resgatados. Foto: Nino Randazzo/Reuters

(Atualizada às 12h50) ROMA - Ao menos 94 pessoas morreram e dezenas estão desaparecidas no naufrágio de uma embarcação que transportava imigrantes da África perto da ilha de Lampedusa, na Sicília, afirmaram autoridades italianas nesta quinta-feira, 3. Outras 250 pessoas continuam desaparecidas.

A prefeita de Lampedusa, Giusi Nicolini, afirmou que 82 corpos foram encontrados. A maioria das vítimas é de imigrantes da Somália e da Eritreia que arriscam a perigosa travessia do Mediterrâneo em busca de uma vida melhor. "É horrível, como um cemitério, ainda estão tirando (os corpos)", disse a jornalistas.

Segundo a guarda costeira parecia haver entre 400 e 500 imigrantes no barco quando ele naufragou. Até agora, há 150 sobreviventes.

O papa Francisco lamentou o acidente. "Só me vem uma palavra à mente: vergonha. Isso é uma vergonha", disse o pontífice. "Rezemos a Deus pelos que perderam sua vida. Homens, mulheres, crianças e por todos os imigrantes."

Milhares de imigrantes chegam à Itália provenientes da África em embarcações precárias a cada ano, sendo que a maioria chega à Lampedusa, uma pequena ilha a apenas 113 quilômetros da costa da Tunísia. / REUTERS e EFE

The Economist faz duro alerta e pede mudança de rumo do governo. Ou: Ontem a euforia, hoje a tática do avestruz



Rodrigo Constantino

Fonte: The Economist
A revista britânica The Economist, que sempre foi ignorada pela esquerda brasileira por ter uma linha mais liberal, caiu no radar da turma quando, em 2009, colocou o Cristo Redentor na capa decolando. Os petistas ficaram eufóricos, usaram a matéria contra os críticos liberais do governo, e nem se deram ao trabalho de ler o que ia dentro.
Os alertas foram ignorados, e a revista mostrou-se otimista demais com o governo. A arrogância (“hubris”) apontada pela revista como principal risco virou realidade. O governo se mostrou intervencionista demais, fez lambança demais, e a economia agora patina, com inflação alta. Vários outros países emergentes crescem mais, com menos inflação. A euforia virou apatia ou aversão.
Tanto que a presidente Dilma teve de engolir parte da empáfia e mendigar atenção no ícone do capitalismo americano, o banco Goldman Sachs. Foi passar o chapéu, mas o tiro saiu pela culatra: quem precisa frisar tanto que honra contratos, senão alguém que… não tem honrado contratos? Se sua esposa repetir muito que lhe é fiel, prezado leitor, cuidado, atenção redobrada: espera-se que a esposa fiel não precise reafirmar tanto assim sua fidelidade. Já a adúltera…
Voltemos à The Economist. A matéria de capa é forte, e logo na largada diz: “Uma economia estagnada, um estado inchado e protestos em massa significam que Dilma Rousseff deve mudar o rumo”. A acusação é que o governo fez muito pouco para reformar o estado, tendo apenas aproveitado as boas ondas externas. Especialmente no que diz respeito ao modelo tributário, um verdadeiro manicômio que pesa sobre as empresas.
As prioridades do governo também são apontadas como totalmente equivocadas. Gasta demais, investe de menos. O modelo previdenciário é custoso demais para um pais ainda jovem. Acaba gastando com aposentadorias o mesmo que as social-democracias europeias, cuja participação de idosos é três vezes maior no total da população.
Já os investimentos em infraestrutura são tão pequenos como os biquínis das brasileiras, diz a revista. Investe apenas 1,5% do PIB, contra a média global de 3,8%. Isso mesmo com um estoque de capital de infraestrutura bem menor. O resultado é um custo de logística absurdo para as empresas.
A revista reconhece que não são problemas novos, mas lembra que o atual governo não só foi incapaz de mexer uma palha para melhorá-los, como aumentou muito as intervenções na economia, espantando investidores. A reputação macroeconômica também foi para o saco pois o governo resolveu reduzir as taxas de juros artificialmente, na marra, e agora está tendo que aumentá-las para combater a inflação.
A contabilidade criativa nas contas públicas, eufemismo para malabarismos primários, também é apontada pela revista como causa da perda de credibilidade, assim como a expansão do endividamento bruto do governo.
O país conta com bastante potencial, mas para explorá-lo, o governo terá que mudar o rumo, mergulhar em reformas estruturais importantes. Com elevada carga tributária, não há mais espaço para aumentar impostos. O governo deverá reduzir seus gastos, principalmente com os pensionistas.
Além disso, terá de criar um ambiente mais amigável para os investidores. Não é protegendo empresas nacionais que se faz isso, ao contrário do que o governo acredita, e sim estimulando mais competição externa. O Mercosul tem sido um obstáculo a isso, reconhece a revista.
A reforma política é o terceiro pilar apontado como necessário para as reformas. A proliferação de partidos e ministérios, com base no velho fisiologismo, impede avanços. Mas a reforma tem que partir justamente de quem não quer mudar esse esquema. Dilma, segundo a The Economist, não tem mostrado habilidade política para enfrentar o desafio.
O Brasil ainda não afundou, e tem salvação. Mas para decolar novamente, a presidente terá que mudar sua gestão. Assim termina a reportagem, com um toque de esperança. Da mesma forma que a revista se mostrou muito otimista em 2009, penso que ainda insiste no erro, ao acreditar ser possível que esse mesmo governo, com essa presidente, possa alterar drasticamente o rumo da gestão. Sonho de uma noite de verão.
A revista deveria ser mais realista: para tais mudanças ocorrerem, só com outro governo. Esse é caso perdido. O Cristo Redentor vai mergulhar de vez e enterrar a cabeça na Lagoa Rodrigo de Freitas ou na Baía de Guanabara, dependendo do lado que cair.
Já os petistas, que até “ontem” estavam eufóricos com a revista, também vão apelar para a tática do avestruz e enterrar a cabeça na areia, para não ter que ler a matéria e se confrontar com a triste realidade de sua péssima gestão.

Monumento às Bandeiras é pichado 2 vezes em 24h

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Grupos fizeram inscrições contra mudança nas regras para demarcação de terras indígenas
03 de outubro de 2013 | 0h 09


Um dos mais famosos cartões-postais de São Paulo, o Monumento às Bandeiras foi alvo de duas pichações em menos de 24 horas, ambas contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215. O projeto tira do Executivo a definição sobre a delimitação de terras indígenas e passa para o Congresso Nacional.

Veja também:
'O certo seria explodir', diz pichador do Monumento às Bandeiras
Monumento às Bandeiras é pichado em protesto


Obra, que já amanheceu pichada, ganhou banho de tinta vermelha ao anoitecer

A obra já amanheceu pichada nesta quarta-feira, 2. Pouco antes da zero hora, de quatro a seis pichadores foram para a frente do monumento. Escreveram "Bandeirantes assassinos" e "PEC 215 Não". A ação durou poucos segundos. Os pichadores temiam que imagens das câmeras ao redor do monumento acionassem o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). O grupo alega já ter participado de diversas pichações, incluindo ações no Teatro Municipal e na Prefeitura.

A administração municipal reagiu rápido. À tarde, uma empresa de limpeza contratada pelo Departamento de Patrimônio Histórico - órgão da Secretaria Municipal de Cultura - encarregou-se de limpar a obra. De acordo com a secretaria, o serviço foi feito por "jateamento de água limpa e quente, com pressão determinada para o tipo de material do monumento", mas também foram "utilizados removedores químicos". Até o início da noite desta quarta, não foi especificado quanto a operação custou.

Tinta e prisão. Mais tarde, porém, um novo protesto contra a PEC resultou em ato de vandalismo. Os ativistas - grande parte de etnias indígenas - começaram a chegar às 15h30 ao vão livre do Masp, na Avenida Paulista. Estavam pintados e usando trajes tradicionais. Ao longo de uma hora, dançaram e cantaram músicas indígenas. Perto das 17h30, os manifestantes iniciaram uma marcha pela avenida, interditada nos dois sentidos. Houve confronto entre manifestantes e policiais. Segundo a PM, ao menos uma pessoa foi detida. Os manifestantes caminharam pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio, sentido bairro, até o Monumento às Bandeiras.

No local, por volta das 21 horas, além de subir na escultura, manifestantes jogaram tinta vermelha e escreveram mensagens como "Bandeirantes Assassinos". Um pano vermelho foi estendido e cartazes contrários à PEC 215, colocados ao redor da obra.

Procurado para falar sobre a primeira pichação, o engenheiro Victor Brecheret Filho, de 71 anos, disse estar "espantado", "chocado" e "horrorizado" com o que ocorreu. "Meu pai orgulhava-se da solidez dessa obra. Ele costumava brincar que, mesmo que caísse uma bomba atômica em São Paulo, permaneceria intacta", afirmou ao Estado. Ele sugeriu que seja adotada em São Paulo uma solução semelhante à que protege a escultura La Carreta, de José Belloni, em Montevidéu, no Uruguai. "É um detector de passagem, com feixe de luz, capaz de acionar uma sirene quando alguém passa", explicou.

Brasília. Um grupo de índios também protestou na frente do Congresso Nacional, em Brasília. De acordo com a PM do Distrito Federal, cerca de 200 pessoas participaram na manifestação. O grupo tentou, sem sucesso, invadir a Câmara dos Deputados por um prédio anexo. / EDISON VEIGA, BRUNO PAES MANSO, LAURA MAIA, MATEUS FAGUNDES e RICARDO DELLA COLETTA

Maioria do TSE diz que ‘aritmética’ deve barrar a Rede de Marina Silva




Tribunal decide nesta quinta se concede ou não o registro a partido que a ex-ministra quer criar para se candidatar à Presidência; tendência é que 4 ministros da Corte rejeitem
02 de outubro de 2013 | 22h 50

Erich Decat, Bernardo Caram e Felipe Recondo - O Estado de S. Paulo


Brasília - A maioria dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vê com "dificuldade" a criação do partido a tempo da ex-senadora Marina Silva disputar a eleição de 2014 pelo fato de a Rede Sustentabilidade não ter conseguido alcançar o número mínimo de apoios exigidos pela lei nesta quinta-feira, 3, os ministros da corte decidem o futuro da Rede. Quatro dos sete integrantes do TSE afirmaram ao Estado que o problema é aritmético, e não jurídico, e avaliaram que a tendência é negar o registro.

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A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, disse que não pode antecipar expectativas e o voto que vai dar no caso da Rede, mas sinalizou com uma sugestão à ex-senadora. Na opinião da ministra, para que Marina se candidate à Presidência - o que "seria legítimo e bom para o povo" -, a Constituição exige apenas que ela esteja filiada a um partido. "É legítimo ela buscar já um grupo que tenha essa afinidade de discurso", afirmou, ao ressaltar que o País tem 32 partidos que poderiam servir de opção a Marina.

"É claro que esse partido (a Rede) representaria uma trajetória, uma vertente a que ela se propõe, mas eu tenho certeza que ela tem uma força muito maior do que apenas essa circunstância", completou.

O ministro Marco Aurélio Mello afirmou que a falta de assinaturas para a criação da Rede torna a situação muito difícil. "Sob a minha ótica, o que está na lei em termos de exigência consubstancia formalidade essencial para o registro. E todos se submetem às regras do jogo para criação de partidos." O ministro acrescentou que a ex-senadora é um dos melhores quadros políticos do País, mas ressaltou que a lei vale para todos.

"A ex-senadora forma no melhor quadro da República em termos de apego a princípios, em termos de ética, mas, em direito, o meio justifica o fim e não o fim ao meio. Não podemos estabelecer, considerados esses aspectos ligados à personalidade de quem capitaneia o futuro partido, o critério de plantão. O critério é linear para todos", avaliou.

O TSE deve julgar nesta quinta o pedido de criação da Rede. Pelos dados do tribunal, Marina Silva só conseguiu coletar 442.534 assinaturas. Desse total, 339.827 foram registradas nos cartórios eleitorais e 102.707 encaminhadas aos Tribunais Regionais Eleitorais. De acordo com a Lei Eleitoral, o mínimo exigido para criação de um partido são 492 mil apoiamentos. Por conta disso, o vice-procurador eleitoral, Eugênio Aragão, deu parecer contrário à criação do partido.

‘Criatividade jurídica’. Apesar da tendência da maioria, alguns dos ministros ouvidos ainda deixam em aberto o voto apostando que em eventual "criatividade jurídica" que possa constar no relatório da ministra Laurita Vaz. A ministra deve abrir a sessão desta quinta-feira no TSE com a leitura do parecer do processo de registro da Rede. Essa será a última audiência ordinária da corte antes do dia 5 de outubro, prazo final para criação de legendas que estarão aptas a disputar a eleição de 2014.

O ministro Gilmar Mendes fez ponderações sobre o caso. "Vamos examinar em função das alegações que são feitas de que teria havido aqui e acolá abusos na rejeição (de assinaturas). Há exemplos que estão sendo mostrados (de abusos). Isso tem de ser examinado e o TSE está sendo muito criterioso."

Mendes não é membro titular do TSE, mas participará do julgamento em razão da ausência do ministro Dias Toffoli, que fará viagem para representar oficialmente o TSE. O ministro afirmou que aguardará o voto da relatora, ministra Laurita Vaz, para decidir se libera ou não a criação do partido.

Pesar coletivo. Em meio a um cenário controverso para a Rede, alguns ministros já ensaiam nos bastidores um discurso de que não estão contra a candidatura de Marina, mas apenas seguindo as regras. O próprio vice-procurador-geral eleitoral, Eugênio Aragão, recorreu a argumentos que fogem da questão jurídica ao publicar com "certo pesar" que Marina não obteve o número mínimo de assinaturas. "Há que ser registrado certo pesar pela não obtenção dos apoiamentos necessários à criação da agremiação em questão", argumentou Aragão.

O pesar se deve ao peso eleitoral da ex-senadora, fator que pode ser considerado no dia do julgamento, tornando a decisão mais política do que jurídica. Nas últimas eleições presidenciais de 2010, mesmo com uma pequena estrutura partidária, em comparação com os demais candidatos, Marina atingiu cerca 20 milhões de votos, sendo a responsável por levar a disputa ao segundo turno. Atualmente, ela figura em segundo lugar nas pesquisas atrás apenas da presidente Dilma Rousseff.

Um desfecho desfavorável a Marina na Justiça Eleitoral e ela mantendo o discurso de que não há plano B, abre-se a temporada pela disputa do patrimônio eleitoral da ex-senadora por aqueles que deverão disputar a Presidência em 2014.

Congresso livra planos de saúde de cobrança bilionária







MP enviada pelo governo e transformada em lei exclui passivo de PIS e Cofins e reduz em 80% base de cálculo para cobrança desses tributos


Adriana Fernandes e João Villaverde - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Com apoio do governo, o Congresso Nacional livrou as administradoras deplanos de saúde de uma cobrança bilionária do PIS/Cofins, graças a um dispositivo incluído na Medida Provisória (MP) 619, aprovada na noite de terça-feira.
Além de ser liberado de pagamentos sobre o passado, o setor ganhou outro benefício, que terá impacto daqui em diante: a base sobre a qual os tributos incidem foi reduzida em 80%.
Desde 2003, a Receita Federal e os planos de saúde travavam uma batalha na esfera administrativa sobre a cobrança de PIS/Cofins do setor. A MP decidiu a disputa a favor das empresas.
Uma fonte graduada da equipe econômica comentou ao Estado que, dessa forma, será permitido "limpar o passivo tributário que era questionado pela Receita, sendo discutido em tribunal administrativo".
Como as alterações foram negociadas pelo governo, a presidente Dilma Rousseff não deverá vetar esses dispositivos. Com a sanção da MP, o passivo administrativo entre planos e Receita deixa de existir.
Não há cálculos precisos sobre quanto esse "perdão" pode representar. Uma fonte da área econômica estima que a Receita deixará de cobrar perto de R$ 4 bilhões dos planos de saúde. Mas há quem diga que é "muito mais" e quem diga que é menos.
A MP também cortou em cerca de 80% a base de incidência do PIS/Cofins, cobrado sobre o faturamento das empresas. Ela exclui da base de cálculo do tributo todos os "custos assistenciais" das operadoras com seus clientes e, também, com os clientes de outras operadoras. Nessa lista, estão despesas com hospitais e com funcionários dos planos, por exemplo.
Divergência. O entendimento do Fisco, que originou a disputa tributária, era de que na base de cálculo do imposto deveriam ser incluídos esses atendimentos. As empresas sempre entenderam o contrário, e essa parte do tributo nunca foi recolhida.
Por outro lado, a MP 619 também eleva, em 1 ponto porcentual, a alíquota da Cofins que incide sobre o faturamento das empresas. Com a sanção da medida provisória, a Cofins passará a ser de 4%.
No entanto, por causa do enxugamento da base de incidência do tributo, as companhias pagarão mais sobre uma parte menor do faturamento.
A vantagem da redução da base de cálculo foi tão grande que as próprias operadoras aceitaram essa elevação da alíquota da Cofins nas negociações com a equipe econômica do governo.
A "anistia" para os planos de saúde causou indignação na área técnica da Receita Federal. A inclusão da emenda na MP 619 foi costurada pelo próprio governo. A presidente Dilma chegou a se encontrar com dirigentes das maiores operadoras de planos de saúde para tratar deste assunto, no primeiro semestre.
"É um escândalo", disse Lígia Bahia, pesquisadora do Instituto de Saúde Coletiva da UFRJ, e um das maiores especialistas em saúde do País. De acordo com Lígia, as empresas "já recolhiam uma alíquota baixa, e agora foram beneficiadas ainda mais". A pesquisadora lançou dúvidas quanto à motivação por trás da medida de estímulo fiscal às empresas.
Estado apurou que as companhias do ramo de saúde suplementar vinham, há pelo menos dois anos, pressionando fortemente o governo para obter a vantagem tributária. Mas somente agora conseguiram. A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) foi procurada, mas não quis comentar. / COLABOROU LÍGIA FORMENTI 

Projeto de lei pode acabar com taxas abusivas cobradas para remarcação de voos




Fim da farra – Projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados pode acabar com o abuso praticado pelas companhias aéreas no momento em que os passageiros precisam remarcar um voo. De autoria do deputado federal Arnaldo Jordy (PPS-PA), a proposta, apresentada na última semana, estabelece um limite máximo para a taxa cobrada pela alteração de horário ou data de viagem em transporte aéreo, nos casos em que a solicitação parte do consumidor.
Atualmente, o Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei 7565/1986) não impõe teto para este tipo de cobrança. Na regra está claro que os bilhetes têm validade de um ano a partir da data de sua emissão, mas não fixa valores para casos de alteração da viagem, a pedido do cliente.
O parlamentar cita abusos como os praticados pelas empresas quando se trata de bilhetes promocionais. Para remarcação de voo, algumas companhias chegam a cobrar multa de até 90% do valor da tarifa paga, o que faz o usuário praticamente perder a passagem.
Pelo projeto de lei, os empresários cobrarão, no máximo, taxa que corresponda a 15% da importância paga no ato da compra. “Sai ganhando o usuário, que passa a contar com um limitador objetivo e razoável para as taxas impostas pelo transportador”, destacou Arnaldo Jordy.
Apesar da imposição do limite no valor para remarcação, a alteração estará sujeita à disponibilidade de vagas na aeronave. Ainda não há data para que o projeto de lei seja votado nas comissões de mérito da Câmara dos Deputados.

Criada para ajudar Padilha, MP populista do “Mais Médicos” desmontará a medicina no Brasil





Contramão – Líder do Democratas na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (GO) afirmou na terça-feira (1) que não desistiu de propor alterações, durante o processo de votação, à Medida Provisória do programa Mais Médicos (MP 621/2013). O relatório da proposta governista foi aprovado na comissão mista sob protesto dos deputados do Democratas, que mostraram como esse programa desmonta a estrutura da residência no País, não garante atendimento de qualidade à população mais carente, precariza o vínculo de trabalho do médico e cria uma ilusão de melhoria da saúde pública com objetivos eleitoreiros.
“Vamos para um bom debate na próxima semana. Vai ter resistência no plenário e vamos dar conhecimento à sociedade ao absurdo que está sendo feito. A presidente Dilma Rousseff não fala mais de PAC, agora é Mais Médicos. Daqui a quatro anos vão criar outro factóide para enganar a sociedade brasileira. O PAC elegeu a primeira vez. A presidente acha agora que esse plano de marquetagem da saúde vai dar conta de elegê-la”, protestou.
Um dos pontos mais criticados durante a reunião da comissão mista nesta terça-feira foi a subordinação ao Ministério da Saúde de todas diretrizes da residência médica no Brasil estabelecido no capítulo 5 do relatório do deputado petista Rogério Carvalho.
“Votamos contra um parecer de um relator que cria um fórum de recursos humanos que destrói, aniquila todas as especialidades médicas inviabilizando todo um conselho de residência médica. Retira todos os poderes do Conselho Federal de Medicina, se dá o direito de legislar sobre todas as especialidades sem respeitar a legislação vigente. É de uma atrocidade que vocês não podem imaginar ao se debruçarem sobre esse texto e poderem entender a gravidade com que o governo com essa politicagem e essa campanha eleitoreira está fazendo com a medicina brasileira”, declarou logo após o encerramento da votação do parecer.
Caiado ainda denunciou os gastos milionários com a campanha publicitária do programa mostrando uma estrutura da saúde pública que não condiz com a realidade do País. “Essa campanha do governo mostra um médico falando português em um consultório aparelhado. A realidade são filas intermináveis e as pessoas morrendo nos corredores dos hospitais”, enfatiza. Por que o cidadão da zona rural, dos rincões desse país tem que ser atendidos por um médico sem qualificação? Isso é saúde pública?”, lamentou o líder democrata.